É com grande satisfação que anunciamos a publicação de um novo artigo que divulga parte dos resultados de nossas pesquisas em História Ambiental, com foco na água no Vale do Itajaí. Essas investigações vêm sendo desenvolvidas ao longo dos últimos anos e refletem um percurso coletivo, contínuo e interdisciplinar de pesquisa. O interesse pela temática da água começou a se consolidar a partir de 2019, com o projeto “Arenas, disputas e desafios nos múltiplos arranjos de gestão das águas”, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, no qual o professor Gilberto atua. Nesse projeto, além da participação direta de Gilberto, o Grupo de Pesquisa de História Ambiental do Vale do Itajaí (GPHAVI) integrou-se como parceiro, contribuindo para a incorporação da perspectiva da História Ambiental nas análises.
Antes e durante esse período, nossas preocupações de pesquisa já se voltavam para diferentes problemáticas ambientais e regionais, como evidenciam diversas Iniciações Científicas (ICs). Entre elas, destacam-se os estudos sobre a produção de arroz orgânico no município de Massaranduba (SC) e a História Ambiental do desenvolvimento regional no sul do Parque Nacional da Serra do Itajaí, ambos com fomento do PIPe/Artigo 170, sob orientação do professor Gilberto (no caso do arroz) e do professor Martin (no caso do parque).
Paralelamente, desenvolvíamos o projeto “História Ambiental do Clima e o Desenvolvimento do Vale do Itajaí-açu (Santa Catarina)”, coordenado pelo professor Gilberto, que articulou diferentes ICs, como:
Representações da natureza e descrições da paisagem do Vale do Itajaí-açu no século XIX; Investigando o acervo científico do GPHAVI para compreender o desenvolvimento regional do entorno do Parque Nacional da Serra do Itajaí; Natureza e paisagem do Vale do Itajaí (SC) nas publicações da revista Blumenau em Cadernos (1957–1960). Essas atividades foram, gradualmente, despertando um interesse mais específico em aprofundar as investigações sobre a água, uma vez que muitos dos elementos analisados — paisagem, clima, biodiversidade, ocupação humana e desenvolvimento regional — estavam diretamente integrados a ela.
Foi nesse contexto que, em 2022, teve início o projeto “História Ambiental e Desenvolvimento Regional da Água na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí (SC)”, também coordenado por Gilberto. Esse projeto fundamentou e articulou novas atividades de Iniciação Científica que ampliaram significativamente o levantamento e a análise de dados históricos. Entre elas, destacam-se: a IC de 2022, com fomento PIBIC, A água na História do Vale do Itajaí (SC): uma análise das publicações da revista Blumenau em Cadernos (1957–1979); em 2023, as ICs Uma abordagem interdisciplinar no estudo da água na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-açu (SC) (PIBIC) e História Ambiental da Água no Vale do Itajaí (SC) nas publicações da revista Blumenau em Cadernos (1980–1999), com fomento do UNIEDU/Artigo 170 – Estado de Santa Catarina. O conjunto dessas pesquisas resultou em um acervo consistente de dados históricos que agora se materializa em novas publicações, como o artigo recentemente lançado.
O estudo “Água, paisagem e desenvolvimento: impressões de viajantes no Vale do Itajaí (século XIX e início do século XX)” foi publicado em 2 de fevereiro, integrando o número 47 da Fronteiras: Revista Catarinense de História. O artigo tem como objetivo analisar as impressões sobre a água a partir das descrições da paisagem no Vale do Itajaí, inter-relacionando esse elemento com a presença humana, a biodiversidade e os demais componentes da geodiversidade.
A pesquisa usou fontes primárias, especialmente relatos de viajantes que percorreram a região ao longo do século XIX e início do século XX, além de fontes secundárias. Os viajantes, ao navegarem pelos rios Itajaí-açu e Itajaí-mirim, registraram a beleza da paisagem associada aos cursos d’água, destacando a biodiversidade e os aspectos geológicos da região. Em seus relatos, estabelecem comparações com rios de outros lugares, sugerem melhorias nos sistemas de transporte fluvial como estratégia para promover o desenvolvimento regional e descrevem a ocupação humana, as etnias presentes e as dimensões das propriedades localizadas às margens do rio Itajaí.
Ao mesmo tempo em que evidenciam o uso dos recursos hídricos como elemento fundamental para o desenvolvimento regional, esses registros permitem compreender uma transformação histórica: os fluxos de água, tão admirados pelos viajantes, tornam-se, ao longo do tempo, um problema crescente, associado às enchentes de grande impacto e repercussão catastrófica na região.
O estudo pode ser acessado (clique aqui) e fortalece as atividades acadêmicas e as práticas de pesquisa em História Ambiental desenvolvidas pelo grupo. Além das Iniciações Científicas realizadas no âmbito do GPHAVI, o estudo integra esforços de pesquisa desenvolvidos por Stella Maris Martins Cruz Castelo de Souza Nemetz, que realizou sua pesquisa doutoral sob orientação do professor Gilberto, estando integrada ao GPHAVI, e que atualmente é professora do curso de Arquitetura da FURB. Soma-se ainda a contribuição de Manuela Buzzi, mestranda no PPGDR, também orientada pelo professor Gilberto e integrante do GPHAVI, que foi bolsista do grupo durante a graduação e desenvolve pesquisas voltadas aos parques urbanos. Em nosso blog temos diversas publicações sobre História Ambiental da Água no Vale do Itajaí, clique aqui e descubra.
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