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| Foto Gabriell |
Entre os dias 15 e 17 de setembro de 2026, a Universidade Regional de Blumenau – FURB realizou a 20ª Mostra Integrada de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura – MIPE. Promovida pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Cultura – PROPEX e pela Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, Ensino Médio e Profissionalizante – PROEN, a mostra constitui um dos principais espaços institucionais de apresentação e divulgação da produção acadêmica realizada na Universidade.
Para o Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí – GPHAVI, participar desse espaço significa também revisitar uma trajetória que começou antes mesmo da existência da MIPE. A presença de pesquisadores vinculados à trajetória do grupo nos eventos de iniciação científica da FURB pode ser localizada, pelo menos, desde o antigo Fórum Anual de Iniciação Científica – FAIC. Um registro particularmente significativo encontra-se na 5ª edição do FAIC, realizada em 2006, cuja solenidade de abertura ocorreu em 20 de outubro daquele ano. Naquele evento foi apresentado o trabalho “Histórico Ambiental da Mata Atlântica na região do Parque Natural Municipal Nascentes do Garcia e entorno no século XX”, de Martin Stabel Garrote, sob orientação de Gilberto Friedenreich dos Santos. O registro é anterior à consolidação de muitas das pesquisas que posteriormente marcariam a trajetória do GPHAVI e permite observar um momento em que a História Ambiental começava a ocupar um espaço específico na produção de iniciação científica da FURB. A pesquisa tinha como foco a história da Mata Atlântica na região das Nascentes do Garcia, em Blumenau, investigando as transformações ocorridas no território e as relações estabelecidas entre sociedade e natureza ao longo do século XX.
A antiga experiência do FAIC antecede a criação da MIPE, que passou a reunir em um mesmo espaço diferentes modalidades de produção acadêmica da Universidade. Ao longo dos anos, os registros das mostras permitem acompanhar a presença de pesquisas relacionadas ao GPHAVI e à História Ambiental. Na 9ª MIPE, em 2015, por exemplo, aparece o trabalho “História da ocupação e uso do solo e suas relações com os desastres socioambientais na comunidade da Rua Araranguá, Blumenau/SC”, de Nicollas Voss Reis, Gilberto Friedenreich dos Santos e Martin Stabel Garrote. Em 2019, na 13ª MIPE, um dos trabalhos apresentados voltou-se para o próprio patrimônio documental produzido pelo grupo: “O acervo do Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí e sua contribuição para análise do desenvolvimento regional no entorno do Parque Nacional Serra do Itajaí-SC”. Já na 15ª MIPE, em 2021, a própria trajetória do GPHAVI tornou-se objeto de pesquisa, com o trabalho “O surgimento de um grupo de pesquisa de História Ambiental na FURB”, dedicado a reconstruir o processo de formação do grupo e analisar sua produção acadêmica.
Esses registros mostram uma característica importante da trajetória do GPHAVI: a pesquisa não ficou concentrada em um único objeto. Ao longo do tempo, os estudos passaram por diferentes questões relacionadas às relações entre sociedade, natureza e território: Mata Atlântica, ocupação do território, uso do solo, recursos naturais, desenvolvimento regional, comunidades, desastres socioambientais, unidades de conservação, agropecuária e, mais recentemente, as próprias formas de circulação e divulgação do conhecimento produzido pela História Ambiental.
Em 2026, na 20ª edição da MIPE, o GPHAVI voltou a participar do evento com a apresentação de resultados de duas pesquisas desenvolvidas no âmbito da iniciação científica. Os trabalhos representam frentes diferentes, mas relacionadas, da atuação atual do grupo. De um lado, uma pesquisa voltada para a história da agropecuária e do desenvolvimento regional no Vale do Itajaí. De outro, uma investigação sobre a divulgação científica da História Ambiental nas redes sociais.
O primeiro trabalho apresentado foi: “Estado, Mercado e Natureza: As articulações na Modernização Agropecuária do Vale do Itajaí”. O estudo é resultado da pesquisa “História Ambiental e Desenvolvimento Regional da Agropecuária no Vale do Itajaí (SC) na primeira metade do século XX”, desenvolvida no âmbito do PIBIC-CNPq. A pesquisa passou por mudanças ao longo de sua execução, inclusive em razão da substituição do bolsista. Na metade do processo, o estudante Bryan S. L. assumiu a bolsa e deu continuidade às atividades de investigação. O resultado apresentado na MIPE procurou analisar a modernização da agropecuária regional a partir da articulação entre Estado, mercado e natureza.
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| Bryan S. L |
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| Bryan S. L apresentando |
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| Bryan S. L e Martin S. G. |
A perspectiva da História Ambiental permite observar a modernização não apenas como transformação econômica ou tecnológica, mas como um processo que também envolveu mudanças na utilização dos recursos naturais, nas formas de ocupação do território, nas práticas produtivas e nas relações estabelecidas entre diferentes agentes sociais. A agropecuária, nesse sentido, aparece inserida em uma rede de relações que envolve políticas públicas, interesses econômicos, mercados, técnicas e condições ambientais. O projeto tem coordenação de Gilberto Friedenreich dos Santos e orientação de Martin Stabel Garrote.
O segundo trabalho apresentado na 20ª MIPE foi: “A divulgação científica de História Ambiental nas redes sociais: investigando a produção dos grupos de pesquisa do Sul e Sudeste – Ano 2”. O estudo dá continuidade a uma pesquisa iniciada anteriormente pelo GPHAVI, voltada à análise das formas pelas quais grupos de pesquisa de História Ambiental utilizam as redes sociais para comunicar suas pesquisas e estabelecer relações com públicos que estão além do ambiente acadêmico.
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| Gabriell e Ana apresentando |
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| Gabriell G. A. e Ana C. A. F |
Em 2026, essa investigação contou com a participação de estudantes do Ensino Médio da Escola Técnica do Vale do Itajaí – ETEVI: Gabriell G. A. e Ana C. A. F. A participação de estudantes do Ensino Médio acrescenta outra dimensão ao projeto. A pesquisa passa a envolver não apenas a análise da divulgação científica, mas também a formação de novos pesquisadores e a experimentação de diferentes formas de comunicação do conhecimento. O projeto é coordenado por Gilberto Friedenreich dos Santos e orientado por Martin Stabel Garrote. A investigação também dialoga diretamente com uma atividade que o próprio GPHAVI vem desenvolvendo há anos: utilizar diferentes meios digitais para disponibilizar pesquisas, documentos, resultados de iniciação científica e conteúdos relacionados à História Ambiental. Nesse sentido, o blog do grupo e suas redes sociais constituem também parte de uma trajetória de preservação e circulação da produção científica.
Observar a participação do GPHAVI nos espaços de divulgação científica da FURB permite perceber uma dimensão particular da história do grupo. Não se trata apenas de contabilizar trabalhos apresentados. Cada pesquisa registrada em um FAIC ou em uma MIPE representa um determinado momento da produção científica, das perguntas feitas pelos pesquisadores e dos estudantes que participaram desses processos. O trabalho apresentado no 5º FAIC, em 2006, por exemplo, estava concentrado na história da Mata Atlântica e nas transformações ambientais das Nascentes do Garcia. Anos depois, os temas apresentados nas MIPEs passaram a incorporar questões relacionadas à ocupação do território, aos desastres socioambientais, ao desenvolvimento regional, ao Parque Nacional da Serra do Itajaí e ao próprio acervo produzido pelo grupo.
Em 2026, a agropecuária do Vale do Itajaí e a divulgação científica nas redes sociais aparecem entre os objetos de investigação. Há, portanto, uma continuidade, mas também uma transformação. As perguntas mudam. Os pesquisadores mudam. Os estudantes mudam. Os objetos de pesquisa também mudam. Mas permanece uma questão que atravessa essa trajetória: como compreender historicamente as relações estabelecidas entre sociedade e natureza no Vale do Itajaí?
A 20ª MIPE representa duas décadas de realização de um espaço institucional dedicado à apresentação da produção acadêmica da FURB. Para o GPHAVI, a participação em mais uma edição da mostra também oferece a oportunidade de olhar para trás e perceber uma trajetória que atravessa diferentes gerações de estudantes e pesquisadores. Do antigo FAIC, no qual encontramos registros de pesquisas realizadas ainda nos primeiros anos da trajetória do grupo, até a atual MIPE, passaram-se duas décadas de mudanças na Universidade, nas pesquisas, nas tecnologias utilizadas e nas formas de comunicação científica. Em 2006, uma pesquisa sobre a história ambiental da Mata Atlântica nas Nascentes do Garcia era apresentada em um evento de iniciação científica. Em 2026, uma pesquisa sobre a modernização da agropecuária do Vale do Itajaí é apresentada ao lado de outra que investiga justamente como a História Ambiental pode ser comunicada nas redes sociais. É uma trajetória que mostra que a pesquisa científica não termina quando o estudo é concluído. Ela continua quando seus resultados são apresentados, discutidos, registrados, publicados e colocados novamente em circulação.
E talvez seja essa uma das funções mais importantes de eventos como o FAIC e a MIPE: criar um lugar para que aquilo que é pesquisado dentro da Universidade possa ser apresentado, confrontado, registrado e incorporado à memória da própria instituição. Para o GPHAVI, essa memória já possui mais de duas décadas. E continua sendo construída a cada nova pesquisa, a cada novo estudante e a cada novo resultado apresentado. Do FAIC à 20ª MIPE, a História Ambiental segue encontrando espaço na FURB.
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