terça-feira, 24 de dezembro de 2013
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Horários do GPHAVI para final de 2013 e início de 2014.
O GPHAVI está aberto das 14:00 até as 18:00 de segunda a sexta feira entre 08 à 20/12
Do dia 21/12 até 12/01 estaremos fechamos (Férias coletivas/acadêmicas da FURB)
De 13/01 até 02/02 abriremos apenas para atividades internas conforme demanda de atividades (Iniciações científicas e demais projetos). Agende atendimento.
A partir de 03/02 funcionaremos normalmente (seg-sex das 14:00 até as 18:00 horas).
Desejamos a todos boas festas de final de ano.
GPHAVI
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Minicurso Introdução à História Ambiental
A História Ambiental é uma forma de analisar a história levando em conta as interações que ocorreram entre sociedade e ambiente. Investigar como os aspectos do ambiente influenciam o desenvolvimento da cultura do grupo, e inversamente, verificando as transformações no ambiente durante esse processo.
A História Ambiental surge no início do século XX motivada pelas transformações na teoria da História, com influência do movimento dos Annales e ao mesmo tempo, em decorrência dos anseios dos movimentos sociais ambientalistas e fóruns mundiais sobre a Questão Ambiental. Se desenvolve na academia a partir de 1960 gerando associações da área nos anos 1970. No Brasil a História Ambiental se desenvolve a partir de 1980 havendo crescente número de simpósios temáticos nos encontros nacionais e estaduais da ANPUH, e eventos independentes fortalecendo e gerando conhecimento sobre as interações e resultados da sociedade com o ambiente.
O GPHAVI vai oferecer a comunidade acadêmica e em geral o minicurso Introdução à História Ambiental que será ministrado pelo professor Martin Stabel Garrote. O objetivo do curso é proporcionar ao estudante o conhecimento sobre as interações humanas com o ambiente ao longo do tempo histórico, analisando as bases teóricas, os temas, fontes, e linhas de pesquisas da História Ambiental. (Faixa etária livre).
Ementa:
Os conceitos de natureza e a problemática ambiental nas sociedades da antiguidade até a modernidade;O paradigma Ambiental nas Ciências Humanas; Surgimento da História Ambiental na contextualização da historiografia do século XX; Bases teóricas, temas, fontes e linhas de pesquisa da História Ambiental; Estudos da História Ambiental e a crise ambiental do século XX: As mentalidades, percepções e simbologias sobre o mundo natural no passado e presente; História do preservacionismo e conservacionismo da natureza e suas implicações sociais, As transformações das paisagens; Recursos minerais, vegetais, e animais e o modelo de produção capitalista; Migrações humanas e suas implicações ambientais; Desastres socioambientais e naturais; Povos tradicionais e patrimônio; A educação ambiental e convergências com a História Ambiental.
O GPHAVI vai oferecer a comunidade acadêmica e em geral o minicurso Introdução à História Ambiental que será ministrado pelo professor Martin Stabel Garrote. O objetivo do curso é proporcionar ao estudante o conhecimento sobre as interações humanas com o ambiente ao longo do tempo histórico, analisando as bases teóricas, os temas, fontes, e linhas de pesquisas da História Ambiental. (Faixa etária livre).
Ementa:
Os conceitos de natureza e a problemática ambiental nas sociedades da antiguidade até a modernidade;O paradigma Ambiental nas Ciências Humanas; Surgimento da História Ambiental na contextualização da historiografia do século XX; Bases teóricas, temas, fontes e linhas de pesquisa da História Ambiental; Estudos da História Ambiental e a crise ambiental do século XX: As mentalidades, percepções e simbologias sobre o mundo natural no passado e presente; História do preservacionismo e conservacionismo da natureza e suas implicações sociais, As transformações das paisagens; Recursos minerais, vegetais, e animais e o modelo de produção capitalista; Migrações humanas e suas implicações ambientais; Desastres socioambientais e naturais; Povos tradicionais e patrimônio; A educação ambiental e convergências com a História Ambiental.
Informações:
-Carga
horária: 30 horas/aulas, com início em Maio de 2014, com 5 encontros aos sábados, das 13:00-18:00 / Local
FURB campus 1.
-Investimento:
1x de R$49,90 ou 2x de R$29,90 – Material (digital), preço do certificado e Café com cuca
incluso.
Ministrante: Martin Stabel
Garrote
Inscrições de 09/12/2013 até 25/04/2014
(Limitado em 20 vagas)*.
Informações e matrículas através do
e-mail gphavi-furb@yahoo.com.br ou visite nosso Blog:
www.gphavi.blogspot.com Fone: (47)91593094
*
Turma sobre demanda. Consultar antes da inscrição
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Antas e Jacutingas, Caça e Extinção: Uma Breve Análise Histórica da Memória Referente a Fauna Nativa
Francisco José Matias; Gabriel Pierri de Souza;
Martin Stabel Garrote ; Gilberto Friedenreich dos Santos
Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí – GPHAVI –
Departamento de História e Geografia - Universidade Regional de Blumenau – FURB
O Parque Nacional Serra do Itajaí (PNSI), criado em 4 de julho de 2004, é uma unidade de conservação com proteção integral desde 2003, sendo este inserido dentro do Bioma Mata Atlântica e envolvendo neste o território de nove municípios pertencentes ao Vale do Itajaí.
As
regiões pertencentes ao Bioma Mata Atlântica sofreram durante vários
séculos diversas alterações, sendo essas
alterações feitas por ações antrópicas. O PNSI, mesmo como uma área de
proteção ambiental, continua sofrendo alterações ao longo dos anos, criando
assim um recorte interessante para estudos e pesquisas relacionados ao parque. A
extinção de espécies nativas da região do PNSI remete também à memória de
moradores atuais do entorno do parque. A lembrança de animais nativos, agora
extintos, na região levantam discussões sobre as modificações mais recentes,
feitas principalmente pela exploração madeireira e a caça, que levaram ao
desaparecimento de duas espécies, a anta e a jacutinga.
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Jacutinga - Anta |
O
principal objetivo desta pesquisa é descrever a voracidade das caçadas práticas
na região e mostrar como a exacerbada caça levou duas espécies nativas a sua
extinção, essas espécies são a Anta e a Jacutinga. Outro
objetivo é o de resgatar a memória de moradores do entorno do PNSI em relação
às caçadas, os animais hoje extintos e suas impressões sobre as intervenções
humanas na fauna da região.
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Caçada Jacutinga Águas Cristalinas - 1940 |
Esta
pesquisa utiliza diversas entrevistas efetuadas pelo GPHAVI junto a moradores
do entorno do PNSI, onde os mesmo caçaram ou tem ligação com pessoas que
praticaram a mesma. A principal motivação no critério de selecionar as
entrevistas é a de citação referente a duas espécies que recentemente estão
extintas na região do PNSI, há grande importância também de como os
entrevistados lembram da quantidade ou modos de caça e qual a principal
motivação por trás desta prática, variando de caça esportiva à caça de
subsistência.
Em
entrevistas feitas com moradores da região, temos o relato de como a caça era
prática comum nas regiões próximas, ou dentro, do parque. Em entrevista feita
pelo Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí (GPHAVI, 2009)
um morador da região de Botuverá
comenta que era comum se avistar antas e jacutingas na região, as antas quase
sempre eram vistas em casal andando em áreas próximas a rios e grotas.
Um
morador da região da Nova Rússia, também entrevistado pelo GPHAVI, chega a
comentar onde foi caçada a última anta da região do PNSI “Aqueles que sumiram,
foi morto tudo. A ultima anta foi morta lá em Indaial. No encano baixo lá em
Indaial. Além disso foi a Jacutinga e o verdadeiro porco do mato.” (GPHAVI,
2007). A Jacutinga foi alvo de caça principalmente para ser usada como fonte de
alimento sendo sua carne muito saborosa, este mesmo morador relata que a mesma
era “um pássaro grande e bobinho.” e que a mesma era caçada somente pelo ar
utilizando armas.
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Caçada no Faxinal do Bepe - 1960 |
Em
entrevista concedida para o GPHAVI, por um casal residente da área do “Faxinal
do Bepe”, eles relatam como
eram
utilizados os restos mortais dos
animais caçados, “O
couro às vezes era vendido, mas a maioria, que matamos antas, era o meu cunhado
lá do faxinal, o Ari, ele que ficava com o couro, depois ele vendia.” (GPHAVI,
2008), os mesmos descrevem também em entrevista o desaparecimento de espécies
que à décadas atrás eram comuns, “Tem anta, jacutinga, passarinho não tem mais,
porco de mato tem pouca coisa, veado tem algum ainda, tem algum veado. Ah,
foram todas mortas, matadas, e depois entraram ali com os tratores, tirar
madeira e cortaram o mato, e mataram tudo.” (GPHAVI, 2008).
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Caçada no Warnow Alto - 1960 |
Refletindo
ao ler estes documentos vemos que a memória destes moradores esta integrada uma
na outra, mesmo estes estando em comunidades distintas. A caça ainda é
praticada em algumas regiões ligadas ao PNSI, as lembranças de tempos passados
de uma fauna repleta de vida remetem a triste situação atual do desaparecimento
de espécies nativas e da degradação ambiental não somente na fauna mas também
na flora.
Referências:
BRASIL.
Ministério do Meio Ambiente; Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade. Plano de manejo Parque Nacional da Serra
do Itajaí.
Brasília, D.F : MMA, 2009.
MOLINARI,
Alcides;
MOLINARI, Rosita Venzon:
2008. Entrevistadores: Ana
Claudia Moser, Gilberto Friedenreich dos
Santos. Blumenau: GPHAVI, 2008.
RAUTEMBERG,
Reinaldo: 2007. Entrevistador: Marcela Adriana Grandi.
Blumenau: GPHAVI, 2007.
GIANESINI,
Ivo. Depoimento: setembro, 2008. Entrevistadores: Ana Cláudia Moser; Martin Stabel
Garrote; Vanessa Nicocelli.
Blumenau: GPHAVI, 2008.
Francisco José Matias é estudante de História e Bolsista de Iniciação Científica (PIPe 2013) no GPHAVI desde abril deste ano. Atua na pesquisa Subsídios para a História Ambiental das antigas serrarias do Sul de Blumenau território do Parque Nacional Serra do Itajaí, que conta com a parceria do ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade .
Este texto foi publicano nos Anais da 7º Mostra de Ensino Pesquisa e Extensão da Universidade Regional de Blumenau (Anais).
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Ferramentas sobre a história do clima para a História Ambiental
A Rede de História do Tempo é uma organização informal de professores e pesquisadores interessados no clima e história. O objetivo é reunir historiadores e climatologistas históricos de todo o mundo para organizar um trabalho mais colaborativo e interdisciplinar, e oferecer contatos e recursos para acadêmicos na área de clima e história. A rede oferece uma base de ferramentas de dados que disponibiliza informações para uso nas pesquisas de História Ambiental. Para acessar o portal entre em: http://climatehistorynetwork.com/climate-history-databases-and-projects/
domingo, 1 de dezembro de 2013
Geografia na FURB no vestibular de inverno de 2014
FURB anuncia criação da Graduação de Geografia.
A previsão, conforme o professor Gilberto é para ser ofertada pelo menos a licenciatura já na metade de 2014. O curso de Geografia além de capacitar professores para o ensino de geografia no ensino básico (fundamental e médio) vai ofertar o bacharel formando o profissional geógrafo.
sábado, 30 de novembro de 2013
Divulgação: 3° SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA AMBIENTAL E MIGRAÇÕES.
Em breve, maiores informações estarão disponíveis no site:
Atenciosamente,
Profa. Dra. Eunice Nodari
Pela Coordenação
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Bolsistas e pesquisadores do grupo estiveram no 3º Workshop Internacional de História do Ambiente
Realizado entre os dias 26-29 de novembro, o evento contou com a participação de pesquisadores interessados em estudos sobre as interações humanas com o ambiente. O evento é uma iniciativa do Núcleo de Estudos Ambientais do Departamento de Geografia do Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) com apoio do Mestrado em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental (MPPT/UDESC), o grupo Congresso Internacional Escolar/Workshop Internacional de História Ambiental (CIE/WIHA) e a Fundação de Arte e Tecnologia (FUNDARTEC). O evento tem como temática a História Ambiental e a Educação Ambiental.
O GPHAVI foi em caravana formada pelos pesquisadores Gilberto, Martin, Vanessa (mestranda no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal - FURB), Diego, Gabriel, Francisco, Kahina e Shimene, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional - FURB, (ex-bolsista do grupo). Os estudantes bolsistas de iniciação científica Gabriel e Francisco e a pesquisadora Vanessa apresentaram trabalhos na modalidade de pôster:
Gabriel apresentou o trabalho A grande odisséia alasquiana: a influência de Thoreau em Cristopher Mccandless num contato mais verdadeiro com a natureza. Este estudo é uma iniciativa de Gabriel que durante a realização das pesquisas e discussões com os pesquisadores interessou-se pelos autores e pela temática e desenvolveu um ensaio para ser apresentado no evento.
Francisco apresentou o trabalho Pressões, ameaças e extinção: um estudo das memórias das caçadas no Parque Nacional Serra do Itajaí - SC. O estudo partiu do interesse de Francisco e de Vanessa e foi desenvolvido paralelamente com a Iniciação Científica que trata de investigar a História das Serrarias no parque.
A pesquisadora Vanessa apresentou o estudo Migrações humanas e invasões biológicas: a Tithonia diversifolia no Vale do Itajaí. O estudo faz parte do levantamento da pesuqisadora em seu mestrado em Engenharia Florestal e apresenta dados importantes sobre a espécie e seu processo invasor no Vale do Itajaí.
Na modalidade de apresentação oral, Diego e Martin fizeram explicações sobre suas pesquisas:
Diego apresentou a pesquisa História e memória ambiental da exploração e produção do óleo de sassafrás no alto vale do Itajaí. O estudo foi desenvolvido na Iniciação Científica no grupo com recursos do CNPq.
O pesquisador Martin apresentou o estudo Breve história do ambiente no Parque Nacional da Serra do Itajaí em Apiúna, Presidente Nereu, Vidal Ramos e Botuverá -Vale do Itajaí - SC. O estudo foi desenvolvido através da pesquisa História Ambiental do Parque Nacional da Serra do Itajaí: estudo da relação sociedade e natureza das comunidades no entorno do parque nos municípios de Apiúna, Presidente Nereu, Vidal Ramos e Botuverá – financiado pela FAPESC (Chamada Pública Universal 07/2009).
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
LABGEO-FURB disponibiliza portal de dados.
O Portal de Distribuição e Visualização de Dados do LABGEO foi desenvolvido pelo Laboratório de Geoprocessamento da FURB - LABGEO, com parceria do Laboratório de Computação Científica - LCC e Laboratório de Monitoramento de Proteção Florestal - LAMPF. O objetivo do portal é proporcionar a comunidade dados e visualização dos projetos dos laboratórios e parceiros.
Entre os projetos disponibilizados no portal gostariamos de destacar a Carta Enchente de Blumenau, que disponibiliza dados cartográficos sobre os pontos de inundação da cidade de Blumenau.
Para visualizar os projetos adicionados acesse: http://www.labgeo.furb.br.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
domingo, 24 de novembro de 2013
Ataque de “bugres” à uma serraria da colônia Blumenau relatado por um colono: os nativos estavam atacando ou defendendo suas terras?
Gabriel Pierri de Souza; Francisco José Matias; Martin Stabel
Garrote; Gilberto Friedenreich dos Santos
Grupo de Pesquisas de História Ambiental
do Vale do Itajaí – GPHAVI
Departamento de História e Geografia -
Universidade Regional de Blumenau – FURB
Guerreiros Xokleng/Laklano séc XIX |
Na tradicional história de Blumenau
o seu fundador e os demais colonos são vistos pelo senso comum e pela
literatura local como heróis, que enfrentaram diversas dificuldades, uma dessas
seria a difícil vivência da colônia em contraste com os nativos que se sentiam
ameaçados pela grande exploração dos mesmos, causando enfrentamentos entre
ambos, muitas vezes violentos com resultados fatais. Sendo assim, o presente
trabalho trata de analisar o relato feito por um colono em forma de correspondência, sobre os ataques dos nativos
às propriedades locais da colônia de Blumenau. Trazendo novas informações e
discussões sobre a relação entre explorador e nativo. Um dos problemas
enfrentados em tal pesquisa foi a falta de relatos de percepções de
enfrentamentos territoriais pelo lado dos nativos.
Esta
pesquisa é uma parcela do projeto de pesquisa, do Grupo de Pesquisas de
História Ambiental do Vale do Itajaí (GPHAVI), história e memória ambiental das
antigas e atuais serrarias do território do Parque Nacional da Serra do Itajaí.
Onde foram levantados documentos históricos, relatórios da colônia Blumenau,
cartas, entrevistas orais, notícias de jornais entre outras fontes. Entre estes
documentos levantados, uma carta relatando ataque de “índios” aos colonos,
chamou a atenção dos pesquisadores abrindo espaço para estudos e discussões
publicados resumidamente neste trabalho. Bloch nos ensina que “vamos buscar,
dando-lhes, onde for necessário, os matizes de novas tintas, os elementos que
nos servem para a reconstituição do passado” (Bloch, 1997, p.43). Utilizando como
embasamento teórico a História Ambienta, que busca compreender as
relações entre ações humanas e a natureza, ou seja, trata-se aqui de conflitos
entre duas etnias distintas pelos recurso e território natural.
Bugreiros e suas armas |
Em
uma carta enviada por seu Julius, à Hermann Blumenau seu irmão, é relatado um
ataque de “bugres” a uma residência localizada próxima a serraria Sallentien
e Gartner
(não se sabe a localização exata). O autor da carta relata que os colonos não
levavam a sério os pequenos ataques dos nativos que são chamados de “bugres”,
[...] “Antes aqui riam todos a cerca dos bugres, como aqui são chamados, porque
raramente apareciam, e quando isto acontecia, era para roubar, não para matar.”
(JULIUS, 1855, p.1). É notável que alguns colonos não temiam os nativos,
entretanto, um acontecimento singular mudou as concepções de suas seguranças
pessoais.
No dia 9 de novembro de 1855, oito
ou nove nativos realizaram uma emboscada na serraria citada a cima, que
resultou na morte de dois operários e um ferido, esse último era Paul Kellner,
um dos 17 primeiros colonos de Blumenau. Eles estavam escavando um canal para
escoar água da serraria quando foram atacados com flechas. Como segue na Figura referente a carta:
Vale lembrar que estamos analisando o lado das “vitimas”, os colonos, e não temos o relato dos nativos, que segundo a carta iniciaram o ataque. Por este motivo, tal tipo de estudo é de grande importância para novas discussões de como era a relação entre colono e nativo. Segundo Martin Garrote em seu estudo sobre os conflitos étnicos entre colonos e índios no sul de Blumenau, é possível encontrar momento de relação pacífica entre colonos e índios. (GARROTE, 2012).
No livro de Edith Kormann,
Blumenau: arte, cultura e as histórias de sua gente (1850 – 1985) é citado o
acontecido entre os nativos e colonos. Segundo a autora Paul Kellner,
sobrinho de Hermann Blumenau é um dos primeiros imigrantes da região, não se
limitou a um simples lote colonial, adquirindo uma área maior na margem do rio
Itajaí-mirim entre Itajaí e Brusque (KORMANN, 1994). Tal informação reflete a
um entendimento maior da situação de Paul na época, nota-se que ele não estava
simplesmente explorando e devastando o mínimo para sobreviver, mas sim
estendendo sua exploração cada vez mais, ocupando o território e possivelmente
prejudicando os nativos. Com isso os nativos podem ter enfrentado dificuldades
para obter recursos naturais, como água e alimento, consequentemente, ao que
parece mais óbvio, tiveram que começar a roubar para sobreviver, causando
enfrentamentos violentos entre nativo e explorador.
Não
cabe aqui julgar quem foram os “mocinhos” e os “vilões”, mas sim trazer esse
tipo de informação ao meio acadêmico para que possa ser aprofundado e levado à
comunidade com o intuito de tentar explicar a história de um determinado ponto,
pois todo ponto de vista, é vista de um ponto. Não havia uma guerra aos
colonos, mas sim ataques ou simplesmente agressões, motivadas, às vezes, pelo
encontro de índios e colonos em territórios que ambos tinham interesse. Este
trabalho tem o intuito de instigar os indivíduos a procurarem outros relatos e
pesquisas que possam mudar suas concepções dos acontecimentos em um determinado
local e período, fugindo um pouco da tradicional história do município, e
consequentemente refletindo de quais seriam as relevâncias e os desafios de
estudar esse tipo de documento.
Referências
BLOCH, Marc. Introdução à história. Ed:
Europa-América, 1997, Pág. 289.
KORMANN, Edith. Blumenau: arte, cultura e as histórias de
sua gente (1850 – 1985). Florianópolis: Paralelo 27, 1994.
GARROTE, Martin. Os conflitos étnicos entre colonos e
índios no sul de Blumenau/SC: memórias. IX ANPED SUL: Seminário
de pesquisa em educação da região sul 2012. Pág. 16.
JULIUS, Blumenau. Carta, 7 de dezembro de 1855, Colônia
Blumenau para Hermann, Alemanha. 2 folhas. Ataque de índios.
Gabriel Pierri de Souza é estudante de História e Bolsista de Iniciação Científica (PIPe 2013) no GPHAVI desde março deste ano. Atua na pesquisa Subsídios para a História Ambiental das antigas serrarias do Sul de Blumenau território do Parque Nacional Serra do Itajaí, que conta com a parceria do ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade .
Acesse o Lattes do autor: http://lattes.cnpq.br/8012732213045066
Acesse o Lattes do autor: http://lattes.cnpq.br/8012732213045066
Este texto foi publicano nos Anais da 7º Mostra de Ensino Pesquisa e Extensão da Universidade Regional de Blumenau (Anais).
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
ICEHO - Consórcio Internacional de Organizações de História Ambiental
O ICEHO - Consórcio Internacional de organizações de História Ambiental tem como objetivo possibilitar a comunicação entre organizações de História Ambiental, e favorecer a troca de informações, conhecer experiências, e dialogar sobre os problemas e desafios em comum. O ICEHO é aberto a todas as organizações que tenham como foco principal os estudos sobre a interação humana com o ambiente.
Para conhecer mais sobre o ICEHO acesse: http://www.iceho.org/
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Congreso Internacional de Historia Ambiental y Economía Ecológica
Já está disponível as informações sobre o Congresso Internacional de História Ambiental e Economia Ecológica, tendo como tema Os conflitos por ecossistemas estratégicos na América Latina e Caribe entre os séculos XIX e XX. O congresso ocorrerá entre 21 e 23 de maio de 2015 nas dependências da Biblioteca Departamental de Vale de Cauca na cidade de Cali, Colômbia. O evento é organizado pela Sociedade de Historiadores Latino americanos e caribenhos, em parceria com a Biblioteca Jorge Garcés Borrero e a Universidade del Valle.
Informações sobre o evento: http://adhilac.com.ar/?p=8665
terça-feira, 19 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Encontro de História Ambiental e debates interdisciplinares
Iniciou hoje e vai até dia 22 o encontro de História Ambiental: Debates Interdisciplinares. O evento faz parte das atividades da linha de pesquisa Poder, Sociedade e Ambiente do Programa de Pós Graduação em História da UFPE. Conforme a organização:
" A História Ambiental é um campo de estudos interdisciplinar que interage com diversas outras áreas do conhecimento, objetivando a observação o mais completa possível do homem em seu meio ao longo do tempo. As questões ambientais serão tratadas a partir de diversas perspectivas: do Cinema, da Geografia, da Arqueologia, da Educação, da Saúde entre outros, e da História como disciplina aglutinadora desses diferentes olhares. A realização do evento possibilitará um importante intercâmbio da produção latino-americana sobre o tema e contará com pesquisadores do Panamá, do Paraguai e de outras regiões do Brasil além de Pernambuco, entre os quais: Guillermo Nills Castro Herrera, José Augusto Pádua, Marcelo Martinessi, Mariana Oliva, Lourdes Lozano Centella, entre outros. Essa iniciativa pretende traduzir a produção das diferentes áreas do saber como diferentes maneiras de dizer o que é diversamente dizível, mas também como maneiras diversas de abordagem dos mesmos problemas, estabelecendo, dessa forma, diálogos entre si em diferentes níveis de profundidade, seguindo, dessa forma, na contramão do exílio disciplinar, como parte da renovação dos saberes que, por diferentes caminhos, dão corpo a um todo diverso e ao mesmo tempo uno. Dessa forma, o evento contribuirá para a consolidação desse campo de estudos interdisciplinar e envolverá a sociedade em geral num grande encontro que possa contribuir para a consolidação das dinâmicas práticas e teóricas que dizem respeito ao homem em sua relação com seu meio".
Para saber mais sobre o evento acesse: http://www.ufpe.br/historiambiental/index.php?option=com_content&view=article&id=306&Itemid=237
" A História Ambiental é um campo de estudos interdisciplinar que interage com diversas outras áreas do conhecimento, objetivando a observação o mais completa possível do homem em seu meio ao longo do tempo. As questões ambientais serão tratadas a partir de diversas perspectivas: do Cinema, da Geografia, da Arqueologia, da Educação, da Saúde entre outros, e da História como disciplina aglutinadora desses diferentes olhares. A realização do evento possibilitará um importante intercâmbio da produção latino-americana sobre o tema e contará com pesquisadores do Panamá, do Paraguai e de outras regiões do Brasil além de Pernambuco, entre os quais: Guillermo Nills Castro Herrera, José Augusto Pádua, Marcelo Martinessi, Mariana Oliva, Lourdes Lozano Centella, entre outros. Essa iniciativa pretende traduzir a produção das diferentes áreas do saber como diferentes maneiras de dizer o que é diversamente dizível, mas também como maneiras diversas de abordagem dos mesmos problemas, estabelecendo, dessa forma, diálogos entre si em diferentes níveis de profundidade, seguindo, dessa forma, na contramão do exílio disciplinar, como parte da renovação dos saberes que, por diferentes caminhos, dão corpo a um todo diverso e ao mesmo tempo uno. Dessa forma, o evento contribuirá para a consolidação desse campo de estudos interdisciplinar e envolverá a sociedade em geral num grande encontro que possa contribuir para a consolidação das dinâmicas práticas e teóricas que dizem respeito ao homem em sua relação com seu meio".
Para saber mais sobre o evento acesse: http://www.ufpe.br/historiambiental/index.php?option=com_content&view=article&id=306&Itemid=237
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Bolsistas e pesquisadores apresentarão estudos no 3° Workshop Internacional de História do Ambiente
Nesta última semana recebemos a confirmação da aprovação dos estudos que serão divulgados para a comunidade académica e em geral através do 3° Workshop Internacional de História do Ambiente. Foram aprovados 5 estudos, sendo dois na modalidade apresentação oral, três serão apresentados em forma de poster.
Apresentações Orais:
- Diego Knoch Sampaio apresenta:
Apresentações Orais:
- Diego Knoch Sampaio apresenta:
HISTÓRIA E MEMÓRIA
AMBIENTAL DA EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO DO ÓLEO DE SASSAFRÁS NO ALTO VALE DO ITAJAÍ (PIBIC/CNPq)
- Martin Stabel Garrote apresenta:
BREVE HISTÓRIA DO AMBIENTE NO PARQUE NACIONAL DA SERRA DO ITAJAÍ EM APIÚNA, PRESIDENTE NEREU, VIDAL RAMOS E BOTUVERÁ – VALE DO ITAJAÍ - SC (FAPESC).
Apresentações de pôsters:
- Francisco José Matias apresenta:
PRESSÕES, AMEAÇAS E EXTINÇÃO: UM ESTUDO DAS MEMÓRIAS DAS CAÇADAS NO PARQUE NACIONAL SERRA DO ITAJAÍ, SC (GPHAVI).
- Gabriel Pierri de Souza apresenta:
A “GRANDE ODISSÉIA ALASQUIANA”: A INFLUÊNCIA DE THOREAU EM CHRISTOPHER MCCANDLESS NUM CONTATO MAIS VERDADEIRO COM A NATUREZA (GPHAVI).
- Vanessa Dambrowski apresenta:
MIGRAÇÕES HUMANAS E INVASÕES BIOLÓGIAS: A Tithonia diversifolia NO VALE DO ITAJAÍ
- SC (PPGEF/CAPES)
Informações sobre o evento: http://3wihaea2013.faed.udesc.br/
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
A História das interações humanas com o ambiente no entorno do Parque Nacional da Serra do Itajaí: o caso das comunidades de Gravatá, Jundiá, Neisse, Barra de Águas Frias e Braço Salão no município de Apiúna - SC
Martin Stabel
Garrote,
Vanessa Dambrowski, Gilberto Friedenreich dos Santos (Orientador)
Área de Ciências
Humanas – História Ambiental
Grupo
de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí – GPHAVI
Departamento de
História e Geografia - FURB.
Fonte
Financiadora: FUNDES 2011/2013 e FAPESC
A compreensão das interações entre sociedade e natureza no processo histórico é uma linha de pesquisa da historiografia atual denominada de História Ambiental, esta possibilita conhecer as relações entre a sociedade e a natureza, observando nessas relações as consequências positivas e negativas para ambas as partes. O objetivo geral desta pesquisa foi compreender a História Ambiental das comunidades de Gravatá,
Ribeirão Jundiá, Ribeirão Neisse, Barra de Águas Frias e Braço Salão no entorno do Parque Nacional Serra do Itajaí (PNSI) em Apiúna, SC.
Foram identificadas as características naturais do território das comunidades; fontes históricas, escritas e não escritas; foram levantadas informações sobre o processo histórico de ocupação da região; identificadas influências antrópicas; levantados elementos extraídos da biodiversidade; levantadas formas de utilização dos elementos da biodiversidade; e identificadas consequências da exploração da biodiversidade da Floresta Atlântica às comunidades e a própria natureza local.
Os resultados foram obtidos através da coleta de dados em fontes primárias com observações e registros nas comunidades, e entrevistas com o Método da História Oral. Também através de fontes secundárias como bibliografias, periódicos e documentos oficiais. A região das comunidades está localizada no Bioma Mata Atlântica, especificamente na Floresta Ombrófila Densa, rica em fauna e flora, em um relevo acentuado e de solo com estrutura predominantemente frágil, regada por inúmeros ribeirões, como ocorre na maior parte da região entorno do PNSI e no médio Vale do Itajaí.
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A esquerda foto de 1960 de criação de capivaras em Neisse. Segue à direita foto de pilão para grãos e a outra de uma gamela, utensílios domésticos feitos com raiz de figueiras. |
Em 1878, famílias chegadas da Alemanha, da Itália e da Polônia receberam lotes na região de Apiúna, sendo estas, as principais etnias das comunidades estudadas. Ao chegarem os colonos se alojaram principalmente em terras ribeirinhas, para terem acesso a água e estas lhes servirem para a agricultura. Os primeiros colonos trabalharam em suas terras, enfrentando diversas dificuldades de adaptação à floresta. Aos poucos os problemas e dificuldades foram sendo superados e ricas plantações de mandioca, fumo, arroz, batata, araruta, cana de açúcar, iam surgindo, ocupando a mata ciliar e encostas.
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A região possui áreas de reflorestamento, pastos e plantios |
Além das atividades agrícolas sempre esteve presente na história e ocupação das comunidades uma estreita relação entre atividades econômicas e extração de recursos da natureza associados aos ciclos econômicos regionais como o da madeira e do óleo de sassafrás.
As características da biodiversidade ao mesmo tempo que forneceram inúmeros recursos para as populações, em um ritmo de exploração intensa se tornaram frágeis para as comunidades naturais e escassas para uso pelas populações humanas.
Este trabalho foi publicado em: http://www.furb.br/_upl/files/especiais/mipe/Anais_pesquisa.pdf
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Apresentações das pesquisas na 7º Mostra Integrada de Ensino Pesquisa e Extensão
Ocorreu nos dias 18 e 19 de setembro a 7º Mostra Integrada de Ensino Pesquisa e Extensão e foram apresentados os resultados finais e parciais das pesquisas iniciadas em 2011-2013.
-FUNDES 2011-2013
Bolsista Mariane Paolla Schwartz - Biomedicina |
Bolsista Martin Stabel Garrote - Ciências Sociais |
- PIPe 2012
Bolsista José Rodrigo Sasseman - História |
Bolsista Vitória Abreu - História |
Bolsista Nicolas Voss Reis |
Bolsista Diego Knoch Sampaio - Engenharia Florestal |
- PRODUÇÕES INDEPENDENTES DE PROGRAMAS DE PESQUISA - GPHAVI
Gabriel Pierri de Souza - Estudante de História |
Francisco José Matias - Estudante de História |
Siyyid Kazim Ahimed - Historiador |
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