"Eu sou o que me cerca. Se eu não preservar o que me cerca, eu não me preservo".
José Ortega y Gasset

sábado, 24 de agosto de 2024

Divulgação do Estudo de Doutorado: Governança dos Recursos Hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí

As pesquisas sobre governança hídrica realizadas pela pesquisadora Stella Maris Martins Cruz Castelo de Souza Nemetz, durante seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, publicadas em sua tese intitulada "Avaliação da Governança dos Recursos Hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí e Bacias Contíguas (SC): A Contribuição do Comitê do Itajaí para o Desenvolvimento Regional Sustentável", sob a orientação do professor Gilberto Friedenreich dos Santos, e representam uma importante contribuição para a compreensão e o aprimoramento da governança dos recursos hídricos na região do Vale do Itajaí e GPHAVI.

A água, elemento vital para a existência humana, também desempenha um papel crucial no desenvolvimento de qualquer região. No Brasil, a governança hídrica é uma questão de grande relevância, sendo os Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH) os principais responsáveis por essa governança. O estudo de Stella Nemetz foca especificamente no Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí e Bacias Contíguas (SC), popularmente conhecido como Comitê do Itajaí, analisando os desafios que essa entidade enfrenta na promoção do desenvolvimento sustentável da região.

A Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí (BHRI) enfrenta diversos desafios, como a escassez de recursos financeiros e as pressões das atividades econômicas, especialmente nas áreas agrícola, industrial e de geração de energia. Além disso, a falta de um planejamento urbano adequado, que leve em conta as características hidrológicas da região, tem exposto as comunidades locais a desastres naturais recorrentes, como inundações e enxurradas, desde o período de colonização.

A pesquisa de Stella Nemetz adota uma metodologia quali-quantitativa dividida em três etapas: Descritiva, com análise das ações do Comitê por meio de documentos oficiais. Avaliativa, através de aplicação de questionários para membros do Comitê, avaliando suas percepções. E propositiva ao identificar potencialidades e fragilidades, culminando na formulação de diretrizes para fortalecer a governança hídrica na BHRI. Os resultados revelaram um padrão crítico e insustentável de gestão, que falha em atender tanto às necessidades da população local quanto às demandas ambientais. A baixa participação de atores-chave e a insuficiência de recursos financeiros são identificadas como principais barreiras para uma governança efetiva.
Conclusão

O estudo evidencia a urgência de se fortalecer a governança hídrica na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, promovendo uma gestão mais equitativa e justa, que realmente possa atender às necessidades da população e contribuir para o desenvolvimento regional sustentável. As diretrizes propostas pela pesquisa de Stella Nemetz fornecem um caminho para melhorar a atuação do Comitê do Itajaí, tornando-o mais efetivo na gestão dos recursos hídricos e na resolução de conflitos locais. Este estudo é um importante passo na direção de uma gestão hídrica mais eficiente e sustentável, essencial para o bem-estar das gerações presentes e futuras no Vale do Itajaí.

Para conhecer o trabalho da pesquisadora clique aqui

Para ter acesso ao estudo completo, clique aqui.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Transformações nas Leis de proteção às àguas e a formação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Itajaí

Hoje gostaríamos de destacar um importante estudo de Conclusão de Curso de História, realizado pela historiadora Carolina Francisca Marchiori da Luz em 2008, sob a orientação dos professores Gilberto e Martin no GPHAVI da FURB, com o título "O processo histórico da gestão dos recursos hídricos na bacia do Itajaí-SC".

A pesquisa demonstra que a problemática ambiental levou a uma reestruturação de políticas e leis relacionadas à proteção dos recursos naturais, especialmente os recursos hídricos. Diversos fatores contribuíram para que a água se consolidasse, em escala global, como um recurso natural ameaçado, com níveis significativos de qualidade e quantidade reduzidos. A fundamentação de suportes legais e político-institucionais sobre a água disponível no planeta evoluiu ao longo dos anos, resultando em uma redefinição das políticas e leis, promovendo uma maior integração e conhecimento entre todos os que utilizam este elemento natural essencial à vida. Na década de 1980, o Brasil adotou práticas europeias para a revitalização dos rios, onde as bacias hidrográficas passaram a ser unidades de planejamento. Esse processo levou à descentralização dos cuidados com as águas, transferindo a responsabilidade do manejo das áreas de bacia hidrográfica da União para comitês de bacia recém-criados. Esses comitês foram formados para facilitar a articulação entre sociedade e natureza e encontrar soluções para os conflitos existentes nas bacias.

Ao revisar os mecanismos cogitados para implementar o gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Itajaí (CBHI), a pesquisa traça uma longa trajetória de inúmeras ações humanas e reações naturais, bem como as transformações históricas nas leis de proteção às águas. A formação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Itajaí é resultado da aprovação da Lei 9.433/97, juntamente com diversas propostas aprimoradas ao longo do tempo por grupos de pesquisadores e pela sociedade, com o objetivo de conscientizar e frear o descontrole humano sobre o uso dos recursos naturais nessa região.


Este estudo é fundamental para entender as mudanças nas políticas de gestão dos recursos hídricos no Brasil e a importância da participação social na proteção e revitalização dos rios. Convidamos você a ler o trabalho completo no nosso blog e a se aprofundar nas discussões sobre a conservação ambiental e a gestão sustentável dos recursos hídricos. Clique aqui e acesse o TCC de Carolina.

Nossa colega Carolina terminou a graduação em História em 2009 com este TCC, e durante seu curso realizou a Iniciação Científica História Ambiental das Comunidades do Parque Nacional da Serra do Itajaí em Guabiruba-SC, pelo hoje extinto programa de Iniciação Científica PIBIC-FURB. Entre 2010 e 2012 realizou seu mestrado em Preservação de Patrimônio Cultural, pelo IPHAN-DF com bolsa da Fundação Darcy Ribeiro. A pesquisa de mestrado Sítio arqueológicos de registro rupestre: gestão compartilhada e ações de preservação do IPHAN no Parque Nacional da Serra da Capivara e entorno - Piauí, Brasil, foi orientada pelas pesquisadoras Lygia Maria Guimarães e Ana Stela de Negreiros Oliveira. Segundo o seu currículo lattes, a pesquisadora realiza seu doutorado na Universidade de Palermo (Argentina) em Educação Superior e Designer. Para conhecer mais sobre a pesquisadora acesse se currículo clicando aqui.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Divulgando o estudo Unidades de Conservação em Terras de Uso da União e a criação do Parque Natural Municipal Canto do Morcego, Itajaí/SC


Divulgamos aqui o resultado e uma pesquisa publicada no Brazilian Journal of Aquatic Science and Technology, intitulada "Unidades de Conservação em Terras de Uso da União: Subsídios à Implantação do Parque Natural Municipal Canto do Morcego, Itajaí/Santa Catarina." Este estudo de produção coletiva que conta com a autoria de Dr. Carlos Eduardo Zimmermann, e outros renomados autores, entre eles nossa colega Dr. Vanessa Dambrowski, teve sua publicação em setembro de 2020.

O estudo aborda as políticas públicas para a conservação ambiental, focando na criação de Unidades de Conservação (UCs) e na elaboração de planos de manejo. O principal objetivo foi identificar como as áreas cedidas pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) às Forças Armadas Brasileiras são tratadas nos planos de manejo de UCs, especialmente em Santa Catarina e para a Marinha do Brasil. Esses dados servem como subsídios para a implantação do Parque Natural Municipal Canto do Morcego, em Itajaí, que abriga um farol.

A pesquisa envolveu a análise de documentos do SPU e websites institucionais, além de entrevistas com a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí. Foram identificadas cinco UCs Federais em Santa Catarina com presença das Forças Armadas, além de mais cinco Federais em outros estados e duas Estaduais. Nos planos de manejo, as áreas militares são inseridas e medidas específicas de manejo são definidas para essas áreas de cessão do SPU.

Diferentes medidas de gestão foram verificadas com o intuito de facilitar a gestão compartilhada com as Forças Armadas do Brasil. Quando a área militar está inserida na UC, é classificada como Zona de Uso Conflitante (ZUC). Esta classificação não indica necessariamente um conflito, mas sim que os objetivos das áreas militares podem não ser compatíveis com os objetivos primordiais das UCs.

A parceria entre as Forças Armadas e os órgãos gestores foi constatada em todas as situações estudadas, seja dentro dos limites das UCs ou na Zona de Amortecimento. Esta colaboração é essencial para o acesso, manutenção e fiscalização das UCs e dos faróis de uso militar, que também atraem visitantes.

As informações obtidas contribuíram para definir que, no planejamento do Parque Canto do Morcego, pode haver uma gestão compartilhada entre o órgão ambiental municipal e o SPU/Marinha do Brasil. A proposta é que a área do farol seja uma ZUC, permitindo visitação pública de forma indireta.

Este estudo destaca a importância da colaboração entre diferentes entidades para a conservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais. Para acessar o artigo completo, consulte o Brazilian Journal of Aquatic Science and Technology (DOI: 10.14210/bjast.v24n1.15927).

Além de Carlos e Vanessa, o estudo também foi produzido por Luiz Alberto Severo Silva Junior, Rejane Teresinha Dahmer Gomes, Mônica Weiler Ceccato, Rafael Schroeder, Marina Christofidis, Marcus Polette, e Rosemeri Carvalho Marenzi.


Para conhecer o estudo na integra acesse aqui!

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Conhecendo a Iniciação Científica: História ambiental da agropecuária no Vale do Itajaí (SC) nos séculos XVIII e XIX

Estamos empolgados em anunciar o início de um novo projeto de Iniciação Científica sobre a história ambiental da agropecuária no Vale do Itajaí, que será desenvolvido a partir de agosto. Este projeto é uma excelente oportunidade para estudantes de graduação da Universidade Regional de Blumenau (FURB) interessados em participar de uma atividade de Iniciação Científica, com possibilidade de remuneração através de bolsa do programa PIBIC CNPq, além de se aprofundar na pesquisa da história do Vale do Itajaí.

O Contexto do Projeto:

O povoamento da Bacia do Itajaí começou por volta de 1750, com o cultivo de terras na Foz do Itajaí. A colonização do interior do Vale do Itajaí, situado no bioma da Mata Atlântica, ganhou força significativa em 1850 com a fundação da Colônia Blumenau por imigrantes alemães. O objetivo geral da Iniciação Científica é analisar a história ambiental e o desenvolvimento da agropecuária no Vale do Itajaí entre os séculos XVIII e XIX. Investigaremos se o fundador da colônia Blumenau e os imigrantes introduziram diversas espécies exóticas, substituindo áreas florestais e impactando o ecossistema local. Também exploraremos de que forma ocorreu o consumo de recursos naturais necessário para o desenvolvimento dessas atividades.

Fonte:https://angelinawittmann.blogspot.com/2014/12/kultuverein-de-colonie-blumenau.html



A Iniciação Científica buscará verificar como ocorreu a introdução de espécies e o desenvolvimento de práticas agrícolas e pecuárias, identificando as espécies de plantas e animais trazidas para a agricultura e pecuária, e como se deu a evolução das práticas agrícolas e pecuárias. Além disso, serão analisados os impactos das atividades agropecuárias no ecossistema, incluindo mudanças na paisagem, biodiversidade, uso do solo e qualidade da água ao longo do período estudado.

Fonte:https://angelinawittmann.blogspot.com/2014/12/kultuverein-de-colonie-blumenau.html

A pesquisa de IC é de caráter histórico descritivo qualitativo. Consultaremos diversas fontes primárias e secundárias, como jornais, cartas de imigrantes, relatos de viajantes, relatórios de Dr. Blumenau, documentos históricos e publicações acadêmicas. Essas fontes estarão disponíveis em arquivos históricos, bibliotecas e acervos digitais. Os estudantes deverão realizar consultas em várias fontes e locais, o que enriquecerá suas habilidades pessoais e profissionais.

O projeto de Iniciação Científica integra um projeto maior denominado "Agricultura e Pecuária: História Ambiental e Desenvolvimento Regional no Vale do Itajaí (SC)", coordenado pelo pesquisador Dr. Gilberto Friedenreich dos Santos, atividade vinculada ao Programa de Pós-graduação de Desenvolvimento Regional, permitindo aos estudantes um fluxo de atividades acadêmicas com a IC, tendo a possibilidade de crescimento na pesquisa na pós-graduação (mestrado e doutorado).

Atividades e Local de Trabalho:

A IC possui um plano de trabalho de 12 meses. As atividades do projeto incluem leituras, fichamentos, organização de resenhas, apresentação dos resultados em reuniões do grupo, e a produção de relatórios e artigos científicos. Espera-se que os estudantes dediquem pelo menos 20 horas semanais a essas atividades, programadas e combinadas com o orientador. O local base das atividades será no Centro de Pesquisa Histórica, na sala R-109, onde está o GPHAVI. Além disso, os estudantes deverão cumprir as exigências legais do edital da Iniciação Científica (veja notícia anterior do blog).

Como Participar:

Se você é estudante de graduação da FURB e tem interesse em participar deste projeto de Iniciação Científica, entre em contato com o professor Dr. Gilberto para mais informações sobre como se inscrever e as possibilidades de bolsa através do programa PIBIC CNPq. Envie um e-mail para frieden@furb.br.

Não perca esta oportunidade de contribuir para uma pesquisa importante e ganhar experiência valiosa em sua formação profissional!

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Vagas para estudantes em projetos de Iniciação Científica para o Ensino Médio e Graduação, bolsas PIBIC CNPq


Comunicamos que serão disponibilizadas vagas para bolsas de Iniciação Científica através do desenvolvimento de dois projetos aprovados recentemente pelo programa PIBIC CNPq. 

Para estudantes do Ensino Médio serão concedidas duas bolsas a partir de agosto, para desenvolver a pesquisa "A divulgação científica de História Ambiental nas redes sociais: investigando a produção dos grupos de pesquisa do Sul e Sudeste", aprovado no PIBIC-CNPq Ensino Médio. Este projeto faz parte do estudo coordenado pelo pesquisador Martin, que se dedica à divulgação científica em redes sociais no GPHAVI. 

Para estudantes da graduação (multidisciplinar) serão concedidas duas bolsas (recrutando) PIBIC CNPq no projeto de IC  "História ambiental da agropecuária no Vale do Itajaí (SC) nos séculos XVIII e XIX".  A IC faz parte do projeto desenvolvido pelo pesquisador Gilberto  "Agricultura e pecuária: história ambiental e desenvolvimento regional no Vale do Itajaí (SC)" no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional.

Cada atividade requer uma dedicação de horas de trabalho, que nosso caso será realizada presencialmente Centro de Pesquisa Histórica na sala R-109, com horário combinado com o orientador da atividade (Gilberto e Martin). O estudante estará em contato com outros estudantes da IC dos grupos do Departamento de História e Geografia,  professores pesquisadores envolvidos nas ICs e que usam o espaço com um laboratório para pesquisas de História. É uma experiência muito importante na formação do estudante, principalmente com o contato direto com o fazer ciência e a rotina de trabalho na pesquisa acadêmica.

A seleção de bolsistas para os projetos de Iniciação Científica na graduação está em andamento. Os interessados em participar podem entrar em contato diretamente com o coordenador Gilberto através do e-mail frieden@furb.br

Para ter mais informações sobre o IC, bolsa etc., consulte os editais aqui:



Mais informações sobre IC, pesquisas, bolsas, programas, na FURB, clique aqui!

Se quer saber sobre a pesquisa em si, entre em contato conosco, agende uma conversa e venha participar.

Para mais informações e atualizações sobre o GPHAVI, acompanhe nossas redes sociais! Fique por dentro das últimas novidades e não perca a chance de participar dessa jornada de descobertas e aprendizado!

terça-feira, 9 de julho de 2024

Aprovamos a IC para o Ensino Médio Investigando a Divulgação Científica de História Ambiental nas Redes Sociais

O GPHAVI aprovou o desenvolvimento de uma nova Iniciação Científica que contará com o apoio de dois estudantes do ensino médio da Escola Técnica do Vale do Itajaí (ETEVI). O projeto, intitulado "A Divulgação Científica de História Ambiental nas Redes Sociais: Investigando a Produção dos Grupos de Pesquisa do Sul e Sudeste", tem como objetivo explorar como a História Ambiental está sendo comunicada ao público através das redes sociais pelos grupos de pesquisa das Instituições de Ensino Superior (IES) das regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Como já sabemos, a História Ambiental é um campo de estudo que tem se consolidado ao longo dos últimos anos em resposta aos desafios ambientais contemporâneos e à necessidade de entender as complexas relações entre os seres humanos e o meio ambiente ao longo do tempo. Conforme destacado por estudiosos, a História Ambiental não apenas examina como na História Humana a natureza é uma dimensão importante, mas também investiga de que maneira as atividades humanas impactaram os ambientes e os resultados dessas interações para ambos os lados. Desde seu desenvolvimento na academia, carrega nos estudos, compromissos éticos com a agenda ambiental, e, por isso, a divulgação científica se torna uma ferramenta essencial para disseminar conhecimento, promover debates públicos e engajar a sociedade nas questões ambientais. Hoje as redes sociais e o uso dos Smartfones levam o conhecimento a outras possibilidades de compreensão pela comunidade em geral. E isso efetiva o conhecimento e a reciprocidade existente no papel político do conhecimento científico. Assim, esta Iniciação Científica tem como proposta estabelecer através de um levantamento exploratório o início de estudos para entendermos o fenômeno da divulgação de conteúdos de História Ambiental. E com esta pesquisa em participar, que poderá se tornar IC de graduação, identificando como os grupos de pesquisa utilizam as redes sociais para promover seus conhecimentos. 

Esta pesquisa de Iniciação Científica está vinculada ao projeto Divulgação Científica em Redes Sociais, no qual estamos desenvolvendo duas pesquisas paralelas. A primeira, liderada pelo pesquisador Martin durante seu pós-doutorado, analisa a divulgação científica dos programas de pós-graduação em desenvolvimento regional no Brasil nas redes sociais. A segunda é a recém-aprovada Iniciação Científica, foco deste texto, que foca especificamente na História Ambiental e na divulgação dos grupos de pesquisa das regiões Sul e Sudeste do país.

Acompanhe o andamento dos editais de pesquisa da FURB, clique aqui.

Acompanhe o blog e nossas redes sociais para ficar por dentro das atualizações sobre o andamento da pesquisa e das oportunidades de envolvimento!

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Quanto vale um Parque Nacional? Apontamentos para a História Ambiental do Desenvolvimento das comunidades do entorno do Parque Nacional da Serra do Itajaí

Hoje trazemos uma pesquisa relevante para o desenvolvimento sustentável da região: "História Ambiental e Desenvolvimento: as comunidades e o papel do Parque Nacional da Serra do Itajaí (SC) para o desenvolvimento regional mais sustentável". O estudo, conduzido pelo pesquisador Martin em seu doutorado sob orientação do pesquisador Gilberto, investigou a memória ambiental da região, a história e os processos do desenvolvimento regional de 2004 até o início do doutorado de Martin em 2015. Inicialmente, no GPHAVI concentrou-se no Parque Natural Municipal Nascentes do Garcia e posteriormente no Parque Nacional da Serra do Itajaí e as comunidades do entorno.

A pesquisa envolveu a coleta de relatos de antigos moradores das 32 comunidades no entorno do parque, em diversas iniciativas científicas, financiadas ou não, culminando no desenvolvimento da pesquisa da tese em Desenvolvimento Regional. Segundo o pesquisador, é notável como a Revolução Industrial até hoje provoca transformações profundas no modo de vida, na configuração social, no uso do solo e no avanço das tecnologias, gerando impactos significativos no meio ambiente. 

Desde o final do século XIX, diversos movimentos sociais ambientalistas emergiram para abordar as problemáticas ambientais, destacando-se na sociedade capitalista ao tentar preservar áreas naturais dos avanços do progresso industrial. Associado a isso os avanços do conhecimento científico na ecologia e na biologia da conservação apontam a necessidade dessas áreas para a resiliência e conservação de qualidade ambiental e de serviços ambientais fundamentais para a vida humana em pleno desenvolvimento. Contudo, essas preocupações entraram em agendas de Conferencias Mundiais que discutiram a questão ambiental, e se chegou a constatação que uma das melhores soluções para amenizar, freia e restaurar a qualidade ambiental e os serviços ambientais perdidos pelas consequências do desenvolvimento, é a criação ode áreas naturais conservadas, os chamados parques ou Unidades de Conservação. Isso resultou em alguns tipos de parques, e cada tipo possui uma justificativa científica existencial, assim existem parque de proteção integral, é o espaço na vida não humana, de uma pequena parte de um todo que sobrou, e os humanos apenas podem visitar e fazer pesquisas,  assim como existem áreas onde é permitida maior interação humana no ambiente, como os Reservas Extrativistas para povos tradicionais. 

Uma das estratégias fundamentais para mitigar esses impactos tem sido a criação de áreas de proteção natural, conhecidas no Brasil como Unidades de Conservação. Na Serra do Itajaí, a exploração madeireira incentivou a formação de comunidades e um desenvolvimento inicial centrado na exploração dos recursos naturais. A partir das décadas de 1970 e 90, movimentos ambientalistas na região de Blumenau impulsionaram a conservação da Serra do Itajaí e isso levou à criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí em 2004. Este marco trouxe consigo novos modelos de atividades econômicas, promovendo mudanças significativas no desenvolvimento local. 


O objetivo principal da pesquisa foi descrever a história ambiental do desenvolvimento das comunidades no entorno do parque, analisando tanto o período anterior quanto posterior a criação do parque. Para isso, foram utilizados dados secundários como bibliografias, documentos oficiais e relatórios de pesquisa, além de transcrições de entrevistas com antigos moradores locais, disponíveis no acervo científico do Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí da Universidade Regional de Blumenau. Além disso, dados primários foram coletados por meio de observações de campo e entrevistas com moradores e empreendedores locais, visando compreender os modelos de desenvolvimento mais sustentáveis que emergiram com a criação do parque. A pesquisa identificou quatro fases distintas na história ambiental do desenvolvimento das comunidades no entorno do Parque Nacional da Serra do Itajaí:
  1. Primeira etapa (1850-1920): Formação e colonização do território, com ênfase na exploração da madeira e agricultura de subsistência.
  2. Segunda etapa (1920-1970): Desenvolvimento impulsionado por ciclos econômicos como a exploração da madeira, cultivos diversos e mineração, além do crescimento de manufaturas locais.
  3. Terceira etapa (1970-2004): Período marcado pelo ciclo da madeira, mineração, cultivo de fumo e arroz, e início do reflorestamento. Neste período, ocorreu uma transição demográfica significativa, com jovens migrando para centros urbanos devido às legislações ambientais e desafios na produção rural. Surgiram também espaços de lazer na região.
  4. Quarta etapa (2004 em diante): Iniciada com a criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí, esta fase promoveu a adoção de modelos de desenvolvimento mais sustentáveis. A presença de Unidades de Conservação como o parque tem desempenhado um papel crucial no fomento ao desenvolvimento sustentável, onde a conservação ambiental se tornou uma prioridade.

O estudo mostra como a criação de uma Unidade de Conservação pode transformar a dinâmica de desenvolvimento local, deslocando-se de uma economia baseada na exploração de recursos naturais para modelos que priorizam a conservação como pilar para o uso sustentável desses recursos. Esse impacto vai além das fronteiras locais, promovendo a conservação e fortalecendo a resiliência da natureza, o que resulta na ampliação dos serviços ecossistêmicos proporcionados por áreas protegidas como o Parque Nacional da Serra do Itajaí.

É um espaço crucial para conscientizar as pessoas sobre a importância de manter áreas sem presença humana, permitindo que a natureza se regenere de maneira natural e melhore rapidamente suas condições ecológicas. Assim, o Parque Nacional da Serra do Itajaí não apenas beneficia diretamente a qualidade de vida das comunidades próximas e além, incluindo seus recursos hídricos, mas também representa um ecossistema vital para toda a vida, humana e não humana. É essencial proteger esse ambiente de interesses econômicos ou sociais que possam comprometer sua integridade, pois a saúde da vida não humana é fundamental para sustentar a vida humana.





sexta-feira, 5 de julho de 2024

Projeto de Pesquisa: A Divulgação Científica em Redes Sociais

O projeto de pesquisa "A Divulgação Científica em Redes Sociais" é coordenado pelo historiador e cientista social Dr. Martin Stabel Garrote em colaboração com a bióloga Dra. Vanessa Dambrowski e o geógrafo Dr. Gilberto Friedenreich dos Santos. O projeto, desenvolvido no Grupo de Pesquisa em História Ambiental do Vale do Itajaí (GPHAVI), teve início a partir do interesse de Martin em analisar como as redes sociais estão disseminando conhecimento na área da história ambiental. Isso ocorreu a partir da criação e monitoramento, e do engajamento social nas  ferramentas web como o blog, facebook, youtube e principalmente instagram do GPHAVI.

Diante dessa questão, os pesquisadores propuseram uma pesquisa exploratória através de uma Iniciação Científica (IC), dando início ao desenvolvimento do projeto. Posteriormente, motivados pela possibilidade de um edital de estágio pós-doutoral, Martin propôs uma pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da FURB, que foi aceita. Por ser voltada para o campo do Desenvolvimento Regional, a proposta parte com o objetivo de investigar a divulgação científica produzida pela pesquisa dos Programas de Pós-graduação (mestrado e doutorado) do Brasil.

A pesquisa de pós-doutoramento "A Divulgação Científica dos Programas de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional em Redes Sociais no Brasil" teve início em julho/agosto deste ano e está programada para ser concluída em 12 meses. A partir de julho de 2024, iniciaremos a divulgação deste projeto de pós-doutorado em nosso blog, Instagram, Facebook e canal do YouTube. Além disso, vamos compartilhar outras pesquisas do grupo que porventura se engajem na proposta maior de analisar a divulgação científica em redes sociais.

Essas iniciativas visam não apenas ampliar o alcance e a visibilidade das pesquisas realizadas, mas também promover uma maior interação com a comunidade acadêmica e o público interessado em desenvolvimento regional e divulgação científica.

Acompanhe o desenvolvimento da pesquisa a partir das notificações e publicações mensais do seu processo de desenvolvimento. No menu da direita localize a página do projeto, acesse e acompanhe. Em breve traremos maiores novidades sobre as etapas da pesquisa.

domingo, 30 de junho de 2024

Morro do Boi: uma experiência enriquecedora com pesquisa de Iniciação Científica


Em 2009-2010, nosso grupo vivenciou um ano bastante agitado, com diversas frentes de pesquisa em andamento. Entre essas iniciativas, uma experiência se destacou não apenas pelo caráter acadêmico, mas também pelo seu impacto social: a contribuição para a implementação da terra quilombola Quilombo Morro do Boi.

A comunidade solicitou reconhecimento em 2009, e essa demanda chegou até nós por meio do Dr. José Roberto Severino, professor do Departamento de História e então atuante na Secretaria de Cultura de Itajaí. Nosso grupo iniciou um projeto de Iniciação Científica que envolveu visitas à comunidade, caminhadas de reconhecimento e entrevistas com os moradores. Fomos calorosamente recebidos, e os relatos colhidos foram fundamentais para compreender as relações entre a sociedade e a natureza naquele território.

Embora a pesquisa e nosso contato com o processo de regulamentação não tenham avançado, isso devido as demais demandas de pesquisa naquele contexto que nos afastaram, vale ressaltar que os dados coletados proporcionaram uma compreensão valiosa sobre a cultura local e sua interconexão com o ambiente, e com isso demos um importante passo na História Ambiental do Morro do Boi. Posteriormente, essa experiência foi publicada na Revista Identidade da Unisinos.  Você pode conferir a notícia da publicação aqui.


O Quilombo Morro do Boi começou a se formar na década de 1950, quando descendentes de escravos negros das comunidades litorâneas de Santa Catarina, como o Valongo, se estabeleceram na região. Esses primeiros moradores encontraram um ambiente já modificado, com áreas de floresta secundária e capoeiras, resultado de décadas de exploração madeireira e coleta de palmito.

As práticas agrícolas e a caça eram fundamentais para o sustento das famílias. Extensas áreas foram desmatadas para o plantio de mandioca, milho e feijão, usando técnicas manuais e ferramentas simples, como enxadas e machados. A agricultura era principalmente de subsistência, com produtos raramente vendidos, mas trocados por mercadorias em comunidades vizinhas. Além da agricultura, a caça era uma atividade comum. Homens da comunidade se aventuravam na floresta para caçar aves, pacas e outros animais, usando espingardas e facões. A pesca também fazia parte do cotidiano.

O desenvolvimento da comunidade foi impulsionado pela exploração de madeira e, posteriormente, pela exploração de granito. A construção da BR-101, na década de 1970, transformou a dinâmica local, levando à desapropriação de terras agrícolas e alterando o acesso à região. A estrada trouxe tanto benefícios quanto desafios, incluindo a interrupção das atividades agrícolas em larga escala. Com o passar do tempo, a constante exploração dos recursos naturais resultou no enfraquecimento do solo e na diminuição das áreas florestais. As mudanças ambientais também impactaram a fauna local, com muitos animais desaparecendo devido à perda de habitat. 

Recentemente, ao ministrar aulas sobre a cultura catarinense, me deparei com o Quilombo Morro do Boi listado como aprovado e regulamentado. Isso me levou a uma reflexão sobre a Iniciação Científica realizada há 14 anos. Para minha surpresa, ao pesquisar no Google, vi que o estudo e o artigo haviam sido amplamente divulgados. Nosso trabalho apareceu em diversos meios, incluindo a Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), que atua junto a indígenas e quilombolas para garantir seus direitos territoriais, culturais e políticos. 

https://cpisp.org.br/morro-do-boi/
















É gratificante perceber que uma pequena Iniciação Científica, alicerçada nos relatos orais dos moradores, pôde contribuir significativamente para o entendimento da história dessa comunidade no território. E que esse estudo provavelmente proporcionou elementos que contribuíram para a efetivação da justiça e do direito ao território para essa comunidade quilombola.
Para acessar o texto completo sobre essa experiência, clique aqui.

quarta-feira, 26 de junho de 2024

História Ambiental das invasões biológicas nos Campos do Quiriri



O artigo História Ambiental das invasões biológicas nos Campos do Quiriri, dos pesquisadores Vanessa e Martin, apresentado no segundo Segundo Simpósio Internacional de História Ambiental e Migrações em novembro de 2012, aborda uma das maiores ameaças à biodiversidade global: a contaminação biológica por espécies exóticas invasoras. De acordo com Primack e Rodrigues (2001), as perturbações causadas pelo homem têm alterado e destruído a paisagem em larga escala, levando espécies e comunidades inteiras ao ponto de extinção. As principais ameaças destacadas incluem a destruição e fragmentação do habitat, a superexploração de espécies, o aumento de doenças e a introdução de espécies exóticas.

A transferência de espécies exóticas remonta às viagens de Colombo, marcando o início de uma troca deliberada de plantas domesticadas, principalmente para atender às necessidades alimentares nas zonas temperadas do hemisfério norte (Dean, 1989). Com o tempo, muitas dessas espécies se naturalizaram e se tornaram invasoras, modificando os ecossistemas locais. Ziller (2000) define essas espécies como aquelas que, ao se estabelecerem em novos ambientes, ocupam o espaço de espécies nativas e alteram os processos ecológicos naturais.

O estudo se foca na história ambiental das invasões biológicas na Área de Proteção Ambiental (APA) Campos do Quiriri, em Campo Alegre, Santa Catarina. A região, inserida no Bioma Mata Atlântica, é um exemplo de como a introdução de espécies exóticas, como o gado e pastagens associadas, alterou significativamente a vegetação nativa. Relatos históricos e entrevistas com moradores locais fornecem uma visão detalhada de como essas práticas, iniciadas no século XIX, ainda impactam a região.

Espécies como Panicum maximum e Melinis minutiflora, introduzidas para pastagens, têm se espalhado agressivamente, substituindo a vegetação nativa. A prática de queimar campos para fortalecer pastagens exóticas contribuiu para a disseminação dessas espécies. Além disso, o cultivo de Pinus spp. nas proximidades da APA está causando a invasão dos Campos de Altitude, alterando ainda mais a paisagem natural.

O artigo destaca a importância de entender e controlar a introdução de espécies exóticas invasoras para preservar a biodiversidade. A história da APA Campos do Quiriri ilustra como a intervenção humana, sem considerações ambientais adequadas, pode levar a mudanças ecológicas significativas e potencialmente irreversíveis. Este estudo reforça a necessidade urgente de políticas de controle e gestão de espécies invasoras para proteger os ecossistemas naturais e a biodiversidade global.

Últimos Dias para Inscrições no ST "História Ambiental e Estudos das Globalidades" no XX Encontro Estadual de História ANPUH


Gostaria de comunicar que está chegando o encerramento do prazo para as inscrições no Simpósio Temático (ST) "História Ambiental e Estudos das Globalidades" no XX Encontro Estadual de História ANPUH. O evento será realizado na Universidade Regional de Blumenau entre os dias 6 e 9 de agosto de 2024.

O simpósio é coordenado por Alfredo Ricardo Silva Lopes, Samira Peruchi Moretto e Michely Cristina Ribeiro. Segundo o resumo publicado, o ST trata de questões ambientais imbricadas com a desigualdade social, a garantia e o reconhecimento dos direitos humanos, o desmatamento desenfreado, a falta de saneamento básico, entre outras.

A História Ambiental vai além de ser apenas um campo de pesquisa. Ela busca apresentar respostas à crise socioambiental que ameaça a vida dos seres vivos em todo o planeta e propõe novas formas de pensar a natureza. Desta forma, o simpósio propõe receber trabalhos que tratem das relações entre a pesquisa e o ensino de História e meio ambiente, discutindo concepções, atitudes e atividades humanas na transformação da paisagem. Isso inclui como os seres humanos alteraram o mundo rural e urbano e as consequências dessas alterações para as comunidades naturais e humanas.

Salienta-se a importância de estudos relacionados aos movimentos migratórios humanos e da flora/fauna, processos de ordenamento sanitário e saúde pública, aspectos históricos, demográficos e ambientais na formação dos territórios, e as relações com as comunidades tradicionais e a formação de identidades regionais, nacionais e transnacionais.

No simpósio, pretende-se reunir trabalhos que abordem as relações entre a pesquisa e o ensino de História e meio natural em suas diferentes dimensões, considerando conexões globais.

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domingo, 9 de junho de 2024

As linhas de pesquisa do GPHAVI: um convite

O GPHAVI convida estudantes de graduação e pós-graduação a se juntarem a nós em uma jornada de exploração acadêmica e descoberta. Nosso grupo se dedica a investigar as interações entre sociedade e natureza ao longo do tempo. Conheça nossas linhas de pesquisa e descubra como você pode contribuir para um futuro mais sustentável e informado:


História Ambiental
Esta é a linha matriz do GPHAVI, centrando-se na identificação dos processos e modificações ambientais resultantes da interação entre sociedade e natureza, desde os primórdios da humanidade até os dias atuais. Analisamos as mudanças ambientais ao longo do tempo para compreender melhor os desafios atuais e desenvolver estratégias sustentáveis. Um exemplo emblemático desta linha é o projeto guarda-chuva do GPHAVI: investigar a História Ambiental do Vale do Itajaí. Aqui, exploramos como a ocupação humana e as práticas culturais moldaram a paisagem e os ecossistemas da região.

História Ambiental do Desenvolvimento Regional
Esta linha se dedica a identificar e compreender os processos históricos de ocupação e uso dos recursos naturais que moldaram o desenvolvimento regional. Analisamos as problemáticas ambientais decorrentes desses processos para propor modelos e indicadores de desenvolvimento mais sustentáveis, visando uma gestão equilibrada dos recursos naturais. Nosso objetivo é traçar um panorama histórico que ilumine as melhores práticas para o desenvolvimento sustentável da região.

Desenvolvimento Regional Sustentável
A linha de Desenvolvimento Regional Sustentável visa uma análise aprofundada do território, explorando sua diversidade histórico-cultural e os impactos socioambientais. Pesquisamos temas como gestão e análise de políticas públicas, governança, planejamento urbano e regional, e turismo. Também investigamos dinâmicas socioeconômicas, como economia solidária, ciência e tecnologia, e redes de cooperação. Nosso objetivo é promover processos efetivos de desenvolvimento regional sustentável, considerando a interconexão entre diferentes fatores que impactam a região.

Tecnologia Social, Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade Ambiental
Nesta linha, investigamos a produção de tecnologias sociais e sua relação com o desenvolvimento regional e a sustentabilidade ambiental. Buscamos compreender como inovações tecnológicas podem ser aplicadas de maneira eficaz para promover práticas sustentáveis, contribuindo para o progresso regional de forma equitativa e ecologicamente responsável.

Ecologia da Paisagem
Abordamos a inter-relação entre processos ecológicos e a dinâmica de transformação da paisagem. Nossa pesquisa combina a perspectiva espacial do geógrafo com a visão sistêmica do ecólogo, visando compreender as complexas interações entre elementos naturais e antrópicos. Contribuímos para a gestão ambiental, oferecendo insights valiosos sobre como as mudanças ecológicas influenciam a configuração da paisagem ao longo do tempo.

Geografia Histórica
A linha de Geografia Histórica concentra-se na reconstrução de paisagens geográficas de eras anteriores e no Antropoceno. Investigamos a interação dos fenômenos e processos humanos com o ambiente ao longo do tempo, buscando oferecer uma visão aprofundada das transformações geográficas. Nossa pesquisa auxilia na compreensão das raízes históricas dos desafios ambientais atuais, fornecendo uma base sólida para soluções futuras.

Se você é estudante de graduação ou pós-graduação interessado em temas como história ambiental, desenvolvimento sustentável, ecologia da paisagem ou geografia histórica, convidamos você a se juntar ao GPHAVI. Aqui, você terá a oportunidade de trabalhar em projetos inovadores, contribuir para a pesquisa de ponta e fazer parte de uma comunidade acadêmica dedicada a um futuro sustentável.






O GPHAVI oferece uma plataforma dinâmica e interdisciplinar para explorar questões ambientais e regionais de grande relevância. Com diversas linhas de pesquisa e projetos, proporcionamos um ambiente estimulante para a investigação acadêmica. Junte-se a nós e contribua para um futuro mais sustentável e informado.

sábado, 8 de junho de 2024

A Biodiversidade da Mata Atlântica: Um Olhar Histórico no Vale do Itajaí-Açu

Gostaria de divulgar um estudo publicado pelo nosso grupo de pesquisa, intitulado A paisagem e o uso da biodiversidade da Mata Atlântica no Vale do Itajaí-Açu (Santa Catarina) no Século XIX. Esse trabalho foi conduzido pelos pesquisadores Gilberto Friedenreich dos Santos e Martin Stabel Garrote e publicado na revista Caminhos de Geografia de Uberlândia-MG, v. 23, n. 88, em agosto de 2022, nas páginas 173–188.
O estudo aborda a colonização do interior do Vale do Itajaí durante o século XIX, destacando as diversas atividades de extrativismo, como caça, pesca, exploração vegetal e madeireira na Mata Atlântica, e o uso da biodiversidade local. A pesquisa também descreve a paisagem natural da região durante esse período, marcada pela presença de extensas florestas inexploradas.  Foram utilizadas fontes como relatos de viajantes, relatórios da Colônia Blumenau, publicações de revistas e demais trabalhos acadêmicos. 

Como um resumo dos resultados, os autores apontam que os documentos históricos destacam a densidade e a riqueza das florestas inexploradas da região. O extrativismo madeireiro teve um papel crucial na economia local, com a madeira sendo um produto importante de exportação. A biodiversidade era explorada para subsistência, incluindo caça e coleta de elementos florestais. A flora local possuía uma grande variedade de espécies com diferentes propriedades, como dureza, resistência e composição química, condicionando seu uso para diversos fins. A exploração contínua da biodiversidade levou à ameaça de extinção de várias espécies, o que motivou a criação de unidades de conservação.

Este estudo é resultante das pesquisas desenvolvidas nos últimos 2 anos pelos pesquisadores. Os resultados são importantes para a pesquisa de História Ambiental da região do Vale do Itajaí-Açu, e demonstra os impactos das atividades humanas na biodiversidade loca. O estudo também destaca a importância da conservação da Mata Atlântica, a necessidade de uma gestão territorial sustentável desse patrimônio natural. Espero que essa breve apresentação tenha despertado seu interesse pelo nosso trabalho! Para mais detalhes, confira o artigo completo na revista Caminhos de Geografia, que pode ser acessado clicando aqui.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Hoje completamos 20 anos de atividades de grupo de pesquisa!

 











Celebração dos 20 Anos do Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí

É com grande alegria e orgulho que celebramos duas décadas de trajetória do Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí (GPHAVI)! Ao longo desses 20 anos, o GPHAVI tem tipo importante papel de produção de conhecimento e engajamento na área da História Ambiental, deixando uma marca indelével não apenas na comunidade acadêmica, mas também na sociedade como um todo.

Desde a sua fundação, em 2004, o GPHAVI tem se dedicado incansavelmente à pesquisa, à reflexão e à divulgação do conhecimento sobre as interações entre o homem e o meio ambiente na região do Vale do Itajaí. Através de projetos inovadores, publicações de qualidade e eventos educativos, o grupo tem contribuído para a conscientização e preservação do nosso patrimônio ambiental.

Ao longo dos anos, o GPHAVI acumulou uma rica história de realizações. Com uma equipe de pesquisadores dedicados e apaixonados pelo tema, o grupo tem desenvolvido projetos que abrangem uma ampla gama de tópicos, desde a história das áreas naturais protegidas até as transformações socioambientais decorrentes do desenvolvimento urbano e industrial.

Além disso, o GPHAVI tem promovido uma série de iniciativas voltadas para a educação ambiental e a conscientização da população, incluindo palestras, cursos e campanhas de sensibilização. Através do seu blog e das redes sociais, o grupo tem alcançado um público cada vez maior, compartilhando conhecimento e estimulando o debate sobre questões ambientais cruciais.

Para celebrar este marco histórico, convidamos você a explorar o nosso website (www.furb.br/gphavi) e o nosso blog (www.gphavi.blogspot.com), onde você encontrará informações sobre os projetos desenvolvidos pelo grupo, publicações recentes, eventos futuros e muito mais. Junte-se a nós nesta jornada de descoberta e aprendizado, e ajude-nos a construir um futuro mais sustentável para todos!

Obrigado a todos os membros, colaboradores e apoiadores que tornaram possível esta jornada incrível. Que venham mais 20 anos de sucesso e realizações para o Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí!

Atenciosamente,

Dr. Martin Stabel Garrote
Coordenador/Pesquisador

terça-feira, 4 de junho de 2024

Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí Completa 20 Anos

Fundadores
Amanhã, o Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí comemora seus 20 anos de existência. Como um dos fundadores, é gratificante relembrar como tudo começou. Eu era ainda um estudante de graduação em História na FURB, profundamente interessado em pesquisa acadêmica. Naquela época, em 2002, a Iniciação Científica era o caminho ideal para estudantes como eu. No entanto, havia diversas restrições: o professor orientador precisava ser doutor, o que eliminava 90% dos professores do meu curso, e os candidatos à pesquisa tinham que ter menos de 24 anos e não ter vínculo empregatício. Para mim, que trabalhava, isso parecia um luxo impossível. Minha primeira tentativa de encontrar um orientador não teve sucesso. O professor que procurei inicialmente não se interessou pelo projeto. Outro professor, além de não aceitar, ainda questionou a validade da História Ambiental como campo de estudo. Foi então que, na disciplina de Cartografia, sob a orientação de um professor de Geografia, Dr. Gilberto Friedenreich dos Santos (um grande parceiro!) vislumbrei uma possibilidade. Estudando o livro "História da Madeira" de Perlin, preparei um banner detalhado sobre a exploração da madeira na Ilha da Madeira. Impressionei o professor de Geografia, que concordou em orientar minha Iniciação Científica.

Propus estudar a região ao redor do Parque Natural Municipal Nascentes do Garcia, onde está localizada a comunidade da Nova Rússia, no Bairro Progresso, em Blumenau. Essa área rural, com características coloniais, era habitada por descendentes dos primeiros colonizadores que se estabeleceram ali a partir de 1890, principalmente para explorar madeira e minas de prata.

Submetemos uma proposta ao PIBIC do CNPq em 2003, mas não foi aprovada devido à falta de dedicação exclusiva do professor, critério daquela época. Felizmente, a Pró-reitora de Pesquisa, através dos colegas Márcio e Rosane da PROPEX, sugeriu que reenviássemos o projeto para outro programa, o PIPE do artigo 170. Fizemos isso e tivemos sucesso.

Em 2004, a Pró-Reitoria de Pesquisa informou que deveríamos criar um grupo de pesquisa na plataforma LATTES para ser certificado pela instituição. E assim nasceu o Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí, que completa agora 20 anos. Nos primeiros 12 anos, escrevi todos os projetos de Iniciação Científica do grupo, focando na região da Serra do Itajaí. Em 2004, foi criado o Parque Nacional da Serra do Itajaí, e descobri no Plano de Manejo que havia 32 comunidades na área, incluindo a Nova Rússia. Junto com meu colega Gilberto, começamos a pesquisar essas comunidades. Nossa parceria funcionou bem; ele submetia seus projetos, e eu os meus, sempre no nome dele. Dessa colaboração surgiram mais de 80 projetos de IC, pelos quais muitos estudantes passaram e aprenderam, com alguns continuando nessa linha de pesquisa.

Ao longo desses vinte anos, realizamos inúmeras atividades e projetos, documentados em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) escrito por Juliano João Nazário, disponível aqui no blog.

No dia 5 de junho de 2024, celebramos duas décadas de dedicação à pesquisa da História Ambiental do Vale do Itajaí. Esta jornada foi marcada por desafios, aprendizado e grandes conquistas, e somos gratos a todos que contribuíram para essa trajetória de sucesso.

Divulgação Científica de História Ambiental e as redes sociais.

Clique para acessar
Até pouco tempo atrás, o conhecimento científico costumava ficar limitado a eventos acadêmicos e a livros físicos. Mas com o avanço da internet, tudo mudou radicalmente. A gente nem precisa ser um cientista para se deparar com informações científicas por aí, nas redes sociais. A internet tem sido tipo um tipo de difusor de conhecimento, desmistificando a ciência e levando ela pra todo lado. Assim como uma série de outras informações.

Com os celulares superpoderosos que "todo mundo tem hoje" em dia, a divulgação científica se especializou. Agora, até nas redes sociais a a divulgação científica vem ganhando espaço. A divulgação científica de História Ambiental tem bastante participação em mecanismos da internet, seja em grupos de conversação, sites, repositórios, e agora as redes sociais.

Por exemplo, o GPHAVI começou com um site próprio (que não existe mais) vinculado com a FURB, hoje ele está em http://www.furb.br/gphavi. Além do site oficial, devido a maior autonomia foi criado em 2009 o blog que está em http://gphavi.blogspot.com, além do blog o grupo surfa também no FACEBOOK, e mais recentemente no INSTAGRAM.

Quando em um momento deparei com o avanço dos espaços do grupo, e o blog, por exemplo, atingir mais de 200.000 visualizações, comecei a ficar curioso em relação a capacidade que esses mecanismos, como as redes sociais, tem em relação a divulgação científica em História Ambiental. É uma ideia que vamos desenvolver em próximas ICs, entender de que forma, pelo menos no Brasil, a História Ambiental vem ocupando o espaço na internet.

Em minha pesquisa recente, para fins de melhor entendimento do assunto para escrever o projeto de IC,  encontrei o livro "Cultivating the Spirit of the Commons in Environmental History: Digital Communities and Collections" de 2016 (https://doi.org/10.4324/9781315665924). Este livro, que aborda uma variedade de temas dentro da História Ambiental, e inclui um capítulo específico que trata da interseção entre História Ambiental e a Internet.

Dentro da seção do livro, destaco o estudo "Online Digital Communication, Networking, and Environmental History" de Sean Kheraj e K. Jan Oosthoek. Não tive acesso ao texto na integra, mas lendo o resumo já notei que o estudo oferece uma excelente reflexão sobre a evolução das tecnologias digitais e sua influência na comunicação e networking em história ambiental. Os autores afirmam que as ferramentas online têm contribuído significativamente para o avanço do campo da história ambiental, tornando-o mais acessível e interconectado.

Vou colocar o resumo traduzido aqui:

Em 23 de Janeiro de 1996, o Professor Dennis Williams da Southern Nazarene University declarou: “Hoje começa uma nova época [para] todos nós que temos discutido a história ambiental electronicamente durante os últimos anos.” Esta foi a primeira mensagem enviada para a lista de e-mail H-ASEH (mais tarde renomeada como H-Environment), agora há mais de vinte anos. H-ASEH foi o sucessor da lista de e-mail ASEH-L anterior que Williams iniciou em 1991. Embora alguns historiadores ambientais já tivessem se comunicado em redes de computadores menores e fechadas no passado, o advento das listas de e-mail e do consórcio H-Net foi o início da ampla comunicação digital online e networking entre estudiosos de história ambiental. Nas duas décadas desde que Williams postou aquela primeira mensagem, o digital online as tecnologias abriram novos caminhos para a comunicação de resultados de pesquisas e o desenvolvimento de redes de pesquisa entre historiadores ambientais. Na verdade, os historiadores ambientais têm sido líderes na utilização de tecnologias de comunicação digital online nas humanidades ambientais. Como Cheryl Lousley (2015, p. 3) escreveu recentemente: “Entre os estudiosos das humanidades ambientais, são os historiadores ambientais que têm sido mais hábeis em reconfigurar a investigação e a comunicação académica à luz das possibilidades digitais emergentes”. Este capítulo examina as mudanças no uso das tecnologias digitais on-line para comunicação e networking na comunidade de pesquisa em história ambiental. Oferece um levantamento da história das atividades de história ambiental on-line e um retrato dos usos contemporâneos de tais tecnologias. Essas tecnologias influenciaram os estudos no campo da história ambiental de várias maneiras importantes. Em primeiro lugar, facilitaram o desenvolvimento e o crescimento de redes académicas regionais, nacionais e internacionais. Em segundo lugar, alargaram o alcance dos resultados da investigação em história ambiental, tornando esta investigação acessível a comunidades fora da academia, incluindo educadores, decisões políticos, jornalistas e públicos de história pública. Finalmente, os historiadores ambientais começaram a utilizar tecnologias digitais online para o desenvolvimento de novas formas de publicação académica.

Fonte:https://www.taylorfrancis.com/books/edit/10.4324/9781315665924/methodological-challenges-nature-culture-environmental-history-research-jocelyn-thorpe-stephanie-rutherford-anders-sandberg?refId=bc5dd665-ed43-4118-96a3-8c7646bf14c4&context=ubx


Em resumo, a divulgação científica de História Ambiental na internet cresce nas redes sociais, provocando, não só maior alcance das pesquisas, como também promove uma cultura de colaboração e compartilhamento que é vital para o avanço do campo. A integração de ferramentas digitais e a adoção de uma "cultura de coletividade" são passos essenciais para conectar pesquisas dispersas, envolver um público mais amplo e garantir que o conhecimento ambiental seja utilizado para informar e melhorar as decisões humanas frente ao ambiente.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Considerações sobre o Desmatamento na Serra do Itajaí: analisando uma publicação da Revista Blumenau em Cadernos

O artigo "Considerações sobre o Desmatamento na Serra do Itajaí" de Maurício Mello e Cláudio Borba, publicado em 1983 na revista Blumenau em Cadernos oferece uma visão sobre a situação ambiental da Serra do Itajaí, destacando as consequências do desmatamento e a importância da preservação da mata atlântica. A relevância deste estudo se mantém atual, considerando os desafios ambientais persistentes enfrentados pela região, mesmo após a criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí em 2004.

Conforme os autores, a Serra do Itajaí é como uma área de grande valor ecológico, abrigando um dos poucos remanescentes da mata atlântica no sul do Brasil. O artigo menciona que, desde o século XIX, pesquisadores têm utilizado essa região como um laboratório natural, enfatizando a riqueza de espécies vegetais e animais que ali existem. Mas destacam a gravidade do desmatamento na Serra do Itajaí, apontando a exploração madeireira e imobiliária como as principais causas da degradação ambiental. A retirada indiscriminada de árvores e a construção de estradas sem planejamento são citadas como práticas que levam à erosão do solo e a deslizamentos. Este fenômeno não apenas destrói o habitat natural, mas também representa uma ameaça direta às comunidades humanas locais, especialmente na região da Garcia. A perda da cobertura vegetal, combinada com a geologia frágil e a topografia íngreme, acelera a erosão e a degradação do solo. Os deslizamentos de terra e a água barrenta nos rios são indicativos de um ecossistema em colapso. Além disso, a diminuição dos recursos hídricos é uma consequência direta da devastação, afetando o abastecimento de água no Médio Vale do Itajaí.

A devastação da flora também resulta na perda de habitat para a fauna local, muitas vezes pouco estudada e compreendida. Esta perda de biodiversidade representa um golpe tanto ecológico quanto potencialmente econômico, uma vez que muitas espécies podem ter valor medicinal ou outras utilidades ainda não descobertas. O artigo conclui com um apelo urgente para a implementação de medidas de conservação. Os autores alertam que, sem intervenções imediatas, a mata atlântica da Serra do Itajaí, que outrora atraiu os colonizadores alemães pela sua beleza, pode desaparecer para sempre.

Quarenta anos após a publicação deste artigo, os desafios levantados por Mello e Borba continuam relevantes. A conservação da mata atlântica e a gestão sustentável dos recursos naturais permanecem questões cruciais. É essencial que políticas ambientais eficazes sejam implementadas e que haja uma conscientização contínua sobre a importância da preservação dos ecossistemas remanescentes. O artigo oferece uma visão crítica sobre a degradação ambiental da mata atlântica na Serra do Itajaí até a década de 1980, destacando as práticas insustentáveis de exploração madeireira e imobiliária e suas graves consequências ecológicas e sociais. Como fonte histórica, o artigo é valioso para entender as percepções e preocupações ambientais da época, além de fornecer dados essenciais para comparar a evolução das políticas de conservação e suas efetividades ao longo do tempo. Em suma, este estudo não apenas documenta a situação ambiental de uma região crucial, mas também serve como base para pesquisas interdisciplinares que exploram a complexa relação entre sociedade e natureza no Brasil.

Quer acessar a fonte original, clique aqui!

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Explorando a História Ambiental e os impactos das ações antrópicas no Parque Ecológico Spitzkopf em Blumenau - SC

Nos primeiros anos do GPHAVI, o estudante Siyyid Kazim Merched Ahimed propôs uma pesquisa, e dela desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso em 2007 com o título: "Ações antrópicas e os problemas socioambientais no Parque Ecológico do Spitzkopf e seu entorno nos séculos XX e XXI". 

Em sua pesquisa é apresentada um recorte da História Ambiental da região do Parque Ecológico Spitzkopf, no sul de Blumenau. Este trabalho colaborou com as pesquisas desenvolvidas no grupo, estando associado ao projeto que começou a investigar as comunidades no entorno do PARNA Serra do Itajaí, e com ele podemos entender o impacto histórico das ações humanas sobre o meio ambiente na região. O principal objetivo do estudo foi traçar um histórico ambiental da região do Parque Ecológico Spitzkopf, desde o início da colonização até os dias atuais. Foi necessário compreender e descrever o processo de ocupação humana e identificar as ações antrópicas na Mata Atlântica local, assim como as consequências socioambientais desse processo. Para atingir esses objetivos, Kazim utilizou uma metodologia abrangente que incluiu: Coleta de dados in loco através de visitas à região. Conversas com moradores locais e especialistas para obter informações detalhadas e contextuais. Registro visual das ações antrópicas atuais na região. Revisão de literatura, incluindo bibliografias, artigos de revistas, monografias, dissertações, teses e relatórios técnicos.

As influências antrópicas que afetaram negativamente as relações ecológicas da Mata Atlântica começaram com a imigração europeia, intensificando a exploração da fauna e flora da região sul de Blumenau. Século XIX: Abertura de trilhas por excursionistas, que despertou um maior interesse e promoveu a ocupação da área. Exploração Madeireira: A exploração de madeira por Ferdinand Schadrack até 1932 causou danos significativos ao meio ambiente. Década de 1930: Udo Schadrack, herdeiro das terras, encerrou a exploração madeireira e transformou a região em uma área de conservação em 1952, criando um santuário para aves e vegetais. Anos Recentes: O crescimento das ocupações irregulares ao redor do Morro do Spitzkopf resultou em novos assentamentos sem comprometimento ambiental, prejudicando tanto a natureza quanto as famílias residentes.

Kazim e Gilberto, 2007
O estudo de Kazim destaca a importância de um planejamento sustentável e consciente para a ocupação humana em áreas naturais. A História do Parque Ecológico Spitzkopf exemplifica como ações antrópicas podem alterar drasticamente o equilíbrio ecológico e demonstra a necessidade de iniciativas de conservação para proteger a biodiversidade. O estudo foi orientado pelo Gilberto e teve como banca avaliadora o pesquisador Martin e a professor Aurélia Maria Santos. Para conhecer o estudo de Kazim clique a seguir:




Clique aqui para acessar o Trabalho de Conclusão de Curso do Historiador Siyyid Kazim Merched Ahimed