Cada dia a natureza produz o suficiente para a nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome
Mahatna Gandhi

segunda-feira, 13 de junho de 2016

CARTA DE CHAPECÓ

CARTA DE CHAPECÓ
Historiadores e historiadoras pela democracia

A Associação Nacional de História, Seção de Santa Catarina, ANPUH-SC, reunida em Assembleia Geral, no dia 09/06/2016, durante o XVI Encontro Estadual de História, na Universidade Federal da Fronteira Sul/UFFS, cidade de Chapecó, aprovou por unanimidade e divulga a seguinte carta:
Diante dos acontecimentos dos últimos meses, a Associação Nacional de História, Seção de Santa Catarina (ANPUH-SC) vem a público manifestar a profunda indignação e preocupação com os rumos da democracia no Brasil.
Os eventos que culminaram com o afastamento da Presidência da República de Dilma Rousseff, legitimamente eleita no pleito de 2014, configuram claramente um ataque a ordem democrática vigente no país.
Os interesses de grandes grupos econômicos e midiáticos, articulados por setores da política brasileira evidenciaram, nos últimos dias, as verdadeiras intenções de burlar as regras construídas e acordadas pela sociedade brasileira no período pós Ditadura Militar.
A incapacidade de produzir um projeto que possa unir a maioria simples dos cidadãos e cidadãs do país levou esses grupos, apoiados por setores da mídia, do judiciário e do parlamento, arquitetar e manobrar para desestabilizar e colocar em risco a maioria dos avanços alcançados nas últimas décadas.
Além disso, nos preocupa o avanço do conservadorismo, propagado por um conjunto de instituições políticas, religiosas e econômicas. Essas sistematicamente estão atacando os direitos das minorias através de propostas de leis e ações de intolerância étnica, religiosa, de gênero e política. Ferindo o princípio básico de uma sociedade democrática na qual deve prevalecer a liberdade de escolha e de expressão dos indivíduos.
Destacamos especialmente a ação do Movimento Escola Sem Partido que vem propondo, através do PL 867/2015, uma política de intolerância a determinados temas de várias áreas do conhecimento e metodologias de interpretação e escrita da História nas escolas, na tentativa de criar bases para um aparelho de vigilância e punição de professores e professoras que não cumpram determinadas diretrizes políticas.
Essas propostas lembram os mais duros regimes ditatoriais da História com a prática de retirada de livros das bibliotecas, criação de lista de autores censurados, vigilância de professores e professoras em sala de aula e criminalização de formas de trabalho docente.
Práticas que violam a autonomia e a liberdade de expressão, principio básico da pluralidade de ideias e do respeito às diversidades estabelecidos pela Constituição de 1988 e pela LDB.
Manifestamos também a profunda indignação com a redução de verbas para a educação brasileira, que atinge diretamente a manutenção e ampliação do ensino público em todos os níveis, políticas de permanência de estudantes, os programas de bolsas e financiamento estudantil.
Apoiamos os professores, professoras e estudantes da educação básica e superior que estão promovendo ocupações de escolas e universidades em um movimento de resistência a atual política de precarização, sucateamento e desmonte da educação, da cultura e da ciência.
Esses movimentos procuram sensibilizar a sociedade brasileira para resistência aos inaceitáveis tempos de ilegalidade e arbitrariedade que presenciamos.
Apoiamos também os movimentos campesinos em sua luta pela democratização da terra.

Chapecó 09 de junho de 2016.
 ANPUH-SC
GT de Ensino de História e Educação
GT Gênero
GT Patrimônio Cultural,
GT de História Ambiental
GT História Antiga e Medieval
GT História da Infância e Juventude,
GT História e Arte
GT Mundo do Trabalho

Fonte: http://www.sc.anpuh.org/informativo/view?ID_INFORMATIVO=5757

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